Uma história para você entender que racismo não é vitimismo

Fonte: anônima ligada ao The Journalists Network

A história que vou contar aqui aconteceu quando eu tinha APENAS 14 anos e estava no Ensino Fundamental.

Me dirigia à uma aula de Educação Física na escola onde eu estudava. A aula aconteceria a uma quadra de onde eu tinha aulas normais.

No caminho, alguns colegas e eu resolvemos passar em um supermercado local para comprar algumas coisas para a aula.

Eu fiquei esperando doze passos depois da porta de entrada. Esperava um colega que estava no fundo olhando as prateleiras. Ambos estávamos com mochila e usávamos o uniforme da escola.

Quando olhei, esse colega estava colocando algo na mochila. Me senti bem mal por olhar aquilo e não poder fazer nada, com risco de ser chamado de “dedo duro”.

Nos dirigimos à saída do estabelecimento comercial. Quando chegamos a ela, a gestora do estabelecimento disse “garoto, você pode subir aqui?”, referindo-se mim. Repare, ela não disse “garotos, vocês podem subir aqui?”. Disse garoto, garoto de pele escura. E o outro de pele branca com cara de rico e de mochila nas costas?

Eu subi, ela abriu minha mochila, olhou por todas as direções, não encontrou absolutamente nada de anormal, nada que não deveria estar lá. Pediu desculpas envergonhada e ficou nisso mesmo.

Detalhe, eu estudava numa das melhores escolas da cidade. Eu me recusava se quer a colar em provas em nome da honestidade. Ela não me conhecia.

Mas você pode perguntar: e ela chamou o garoto de pele clara? É claro que não, a cor da pele definiu a escolha dela de me chamar.

Nessas situações você enxerga como o racismo está amplamente presente na sociedade. Como está nas pequenas ações e como a população de regiões periféricas sofre com ele diariamente.

Se uma situação como essa aconteceu com um menino de 14 anos que usava uma logomarca estampada no peito, de uma das instituições de ensino mais caras daquela cidade, o que não poderia acontecer a um jovem de classe desfavorecida em uma cidade grande que não usasse nada do tipo?

E então, racismo não existe?

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