A Adelina Pereira Lopes deixou-nos ontem aos 92 anos de idade.

Lembro-me dela me fazer um doce na sua cozinha com os frascos azul bebé, que eu achava a cozinha mais bonita do mundo.

As vicissitudes familiares e a distância geográfica mantiveram-me longe quando era não era senhor do meu nariz; a imaturidade e a incapacidade de lhe abrir o peito confirmaram essa distância na vida adulta, mesmo sabendo sempre que estava bem e conhecendo as suas histórias pela mão do meu pai e do meu irmão e fazendo promessas constantes de visitas que nunca se concretizaram.

A Adelina partiu…

A EVERY faz hoje dois anos.

Nasceu com uma missão tão abnegada quanto incipiente — colocar a tecnologia ao serviço dos indivíduos e das comunidades, tendo a independência e agilidade suficientes para desprezar a lógica de negócio e concentrar esforços na resolução de problemas concretos dos que nos rodeiam, se necessário em prejuízo da sua própria sustentabilidade.

“Bocejada” pela sorte como o seu criador, conseguiu sobreviver no mercado até hoje mesmo sob a grande inexperiência e ambiguidade do timoneiro, o espírito romântico que a fez muitas vezes desprezar a sobrevivência e a colocou perto do fim. …

Um grande bocado de mim (provavelmente a barriga) deseja ardentemente que o Reino Unido vote pela saída da UE. Porque acredita que só uma cisão trágica e violenta pode travar o cilindro europeu, que insiste em forçar os coxos a correr à mesma velocidade dos saudáveis e lhes vai atirando uns Voltarens para não perceberem que os pés já gangrenam.

O problema é que mais uma vez o debate esclarecido foi completamente atropelado pelo urrar das hordas enlouquecidas, usando todos os argumentos — sobretudo os irracionais — para defender a sua dama e cuspindo sobre todos os que levantam a…

Há mais de uma década que tinha decidido — e era assunto e galhofa garantidos em todos os jantares de aniversário — que seria candidato à Presidência da República assim que chegasse aos 35 anos, por entender que há em Portugal falta de participação cívica e uma percepção generalizada de que os cargos maiores do Estado só estão abertos aos que fazem da política um meio de vida.

O calendário político ditou que as Presidenciais de 2016 fossem o momento de por à prova essa decisão. …

Uma reflexão monológica sobre 2015 e o lançamento de 2016.

Não tenho por hábito fazer grandes reflexões de fim de ano, por não ter por hábito viver a vida pelo calendário. Costumo mover-me por projectos, missões, problemas a resolver… E esses raramente empatizam com as balizas artificiais dos dias e dos meses.

Este ano — por força do necessário fecho de contas do primeiro ano da EVERY e em nome da transparência que defendo — a história é diferente, e a análise ao que de bom e mau foi feito nos últimos doze meses torna-se relevante.

TL;DR

Lancei-me numa tentativa de estabelecer-me por conta própria com vários objectivos, uns mais difusos…

Tomar as rédeas do processo democrático.

A festa da democracia

Vamos a meio de uma época de decisões políticas, e o cenário é deprimente.

O que devia ser uma poderosa expressão dos avanços sociais conseguidos por uma comunidade cujos cinquentões ainda carregam o amargo travo da repressão nos lábios… É antes uma demonstração cabal da incapacidade dos partidos políticos representarem as aspirações políticas e sociais da grande maioria dos cidadãos, e destes últimos de exercerem o seu papel decisivo na condução dos destinos do país através do voto.

Isso traduzido por miúdos é…

Ninguém gosta do Passos. Ninguém quer o Costa. Os outros não servem para Governo. Vai tudo dar ao mesmo.

Para um novo cidadão agente político, em pleno exercício do direito à voz, à exigência na decisão, à obrigatoriedade do vínculo.

Este texto é uma cópia do site metagoverno.pt, brevemente online.

Portugal é um Estado-nação democrático há mais de 40 anos. Após diferentes períodos de convulsão política e social no século anterior, encontramo-nos hoje num período de discutível maturação política e económica. O regime político encontrou aparente estabilidade e solidez sob a forma de uma bipolaridade política de cariz partidário sem grande diferenciação ideológica.

Os partidos do habitual eixo do poder português apresentam uma visão política genericamente semelhante, encontrando-se o factor diferenciador muitas vezes apenas em pormenores da prática executiva e circunstâncias económicas.

Esta aparente rotatividade política, suavizada por uma abordagem…

David Nascimento

Wandering webber.

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