A fraqueza de um homem forte

Desculpe a minha sinceridade e até mesmo a minha falta de decência, mas não pude deixar de ficar feliz com a tua derrota, homem forte. Porque por tantos anos eu vi a tua força, as tuas palavras ofensivas que me dirigias, o teu riso, o teu deboche, e nunca te vi cair tão feio.

Não é pela tua queda que me alegro, não há essa crueldade em mim — jamais! Me alegro porque por tantos anos pensei que tu fosses perfeito, um homem forte que a tudo resiste, que nada que em ti bate destrói, que o teu orgulho fosse uma força, que tua virilidade fosse uma arma que ninguém pudesse vencer. Pensei que tu, homem forte, fosse bravo e que isso te fazia feliz, que todos estavam aos teus pés, que eras o máximo.

Acreditava em tudo que me dizias, que eu era fraco, que eu era covarde, que eu era até uma subespécie. Sofri durante tanto tempo por crer em tuas palavras. Mas como é libertador ver e crer que as palavras de um homem não o fazem.

Estou feliz, homem forte, porque a tua queda me libertou como jamais outra coisa me libertou. Fico feliz, não por tua queda, não por ti ver cair, não por tua desgraça — jamais! Fico feliz porque tua queda me mostrou que és sensível ai dentro, e que apesar de toda força que tens, não estás sempre certo por isso. Tua queda me fez feliz, homem forte. Tua queda me mostra que agora sou livre de tuas palavras e das palavras de qualquer outro que venha a querer deliberar o meu destino. Obrigado pela tua fraqueza, ela me libertou.