Engraçado, eu não ri.

Era fim de tarde, ela me olhava. Faziam anos que eu não a encontrava.

Saiu por aquela mesma porta há seis anos. Dois verões atrás ela voltou, enquanto eu viajava. Hoje, chegou à cidade no silêncio da noite. O velho João ainda lembra qual o café da manhã preferido dela. Com a barriga cheia, cheia de vontade ela apareceu.

Eu estava feliz, até avistá-la.

Pela manhã, enquanto assistia ao jornal, o meteorologista dizia que uma tempestade se aproximava. Não sabia que viria em forma humana, de mulher.

Com olhos serrilhados, parrados, o tempo fechava. O céu escurecia em poucos segundos. Eu só conseguia pensar na tempestade.

Naquele momento um raio a atingiu. Na porta caiu dura. Morreu.

Interessante, eu morri… de rir.