O amor é outra coisa
Eu olhei para o telefone e lembrei dela. Peguei o post-it que estava sobre criado-mudo, desenhei um boneco de palito e escrevi “Oi”, fotografei e mandei pelo whatsapp. Ela me respondeu.

Depois de um tempo, chamei-a para conversar no parque.
Ela atrasou, mas eu tinha um plano b. Se ela me desse um bolo, eu pegaria meu caderninho e fingiria para a mulher que vendia doces que eu estava sozinho e não tinha sido esquecido.
Olhando a tarde cair, pensei em todas as merdas que eu tinha feito e imaginei: “ela não vai vir”. Conformado, sentei em baixo de uma árvore e comecei a externar o sentimento na folha de papel.
Ela chegou. Eu não acreditei.
Sentou ao meu lado e disse que o ônibus demorou. Eu fiquei calado por um instante e balbuciei como uma criança que não sabe o que dizer. No meu caso: como dizer.
Até chegar aquele encontro, nós passamos muita coisa que quase ninguém conta sobre o amor. As dificuldades, indecisões, incertezas, o medo, o não, o sim e outro não logo após o sim. E finalmente o sim, com medo, mas com vontade de tentar viver.
Ainda hoje eu não sei o que é o amor por definição, não concretamente, apesar de dizer: “eu te amo” e sentir essa coisa que nunca senti antes. O desejo de falar, compartilhar, sentir e me permitir ser livre. Isso pode ser amor, mas eu não sei.
O amor é outra coisa. Essa mesma outra coisa.