não obstante

Eu amei um menino que hoje eu não amo mais.

Ele era alto, forte e tinha uma mania de estalar a boca, que era engraçado. Eu o amava.

Ele sabia usar as palavras, escreve como ninguém e eu só sei que eu o amava.

A gente nunca se viu, se quer. Nunca senti seu cheiro, ou sua mão pegando na minha, mas eu o amava.

Só que ele não sentia, ou não mostrava que sentia, talvez sentia, mas não falava que sentia e vai que ele sentia, só não sabia, ou sabia, mas não sabia como falaria ou demonstraria e, agora eu não sei de mais nada…

Eu só sei que

Ele continua alto, forte e o estalo da boca já não é mais engraçado. Ele ainda usa as palavras, continua a escrever, mas por mais que eu leia, parece que nada mais entra na cabeça. Eu acho que só entendia quando ele fazia parte.

Pi. Uma notificação.

Agora ele demonstrou. E eu já não sinto nada.

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