alguns começam a ter as suas próprias escolhas e sonhos quando crianças, aliás, sonhos todos temos desde sempre, mas aqueles desejos que nada nem ninguém faz tirar da cabeça acho que cada um tem seu tempo. eu tive o meu.

com uns 14 anos comecei a pesquisar sobre grandes mulheres, e SIM teve aquela pesquisa clichê no Google – “mulheres revolucionárias”, achei as fotos incríveis e quis me tornar uma delas.

eu sempre fui muito questionadora e curiosa, sendo isso um problema ou não, também nunca me importei muito com a opinião alheia, e pode parecer frieza, mas é apenas personalidade – não me importava nem com a opinião dos meus pais.

vamos ao assunto.

eu sempre quis morar sozinha.

sonhava com um apartamento, e uma mesa vasta para colocar as sacolas do mercado em cima dela. planejava qual seria o adesivo brega que eu iria colocar na geladeira. cheguei até a comprar toalha de mesa e alguns itens de decoração antes mesmo de saber se um dia eu conseguiria sair de casa tão cedo.

e pra fazer um link com as ~ mulheres revolucionárias, eu queria revolucionar algo, nem que eu fosse quem pagasse minha própria comida, e água pro banho.

passaram os meus 15, 16, 17, 18 anos e eu continuava com essa ideia na cabeça. de todas as pessoas que eu falei sobre a maioria achava que eu era rebelde. mas eu também sempre acreditei que os rebeldes são aqueles que movimentam as emoções. as emoções em si são rebeldes. por isso segui.

aos 19 anos uma prima me convidou pra trabalhar em um sushi com ela, eu fazia curso técnico de enfermagem e achava que queria fazer aquilo pra sempre. – engano –.

era muito longe da minha casa e o horário de trabalho era das 17h até as 23h, então ficava bem difícil de voltar pra casa. minha prima me convidou pra morar com ela, OLHA SE NÃO ERA A OPORTUNIDADE de sair de casa.

o dia em que eu sai de casa.
(pensem na música do zezé Di Camargo e Luciano)

era uma terça. primeira semana de janeiro do ano de 2013.

falei pros meus pais como se eu fosse passar um tempo na casa da minha prima apenas para fazer este ~ freela, mas parece que a vida não me encarregou dessas minhas palavras. segue.

eu arrumei minhas malas com todas as roupas que eu mais usava, os sapatos que eu mais gostava. meu pai combinou de me levar até meu curso de carro pela manhã, que ele já iria direto pro trabalho.

foi a pior combinação da vida.

as 6:40 saímos de casa, pelo trajeto fomos falando que eu trabalharia pela semana e aos finais de semana visitaria eles, afinal só levei roupas.

quando meu pai me deixou na porta do meu curso (que eu teria aula e iria pro apartamento ao meio dia) foi uma das sensações mais estranhas que eu senti na vida, uma mistura de liberdade com saudade, liberdade com dor, saudade com medo, eu sinceramente não sei explicar.

quando sai da aula com 450 mil malas fui pra parara de ônibus e peguei um T7 até a Cidade Baixa [imaginem uma mudança de ônibus], uma das malas rasgaram, eu me queimei demais porque tava muito quente, aliás, era janeiro.

quando eu cheguei lá foram outras mil sensações. de felicidade, liberdade, e coração aberto.

e por falar em coração. e o coração?

pensar que, todos os dias que eu acordar não veria mais a casa onde eu nasci, e brinquei com as minhas irmãs? pode isso?

pensar que, todos os dias que eu acordar não veria mais minha mãe e meu pai mesmo que fosse pra brigar? pode isso?

pensar que, todos os dias que eu acordar eu não teria mais aquele teto que conforta apenas por ser a casa dos meus pais? e isso, pode?

eu tão sempre fui tão família, mas tão ~ aventureira também. e isso faz a gente sofrer. porque nunca sabemos onde queremos estar.

não existem arrependimentos desta escolha pela ~vida de adulto. foram aprendizados. são aprendizados e histórias pro resto da vida.

morei 1 ano neste apartamento no bairro mais boêmio da cidade com minha prima e mais uma amiga. mas um dia cada uma seguiu um caminho, e o apêzinho se desfez.

pra onde eu fui?

calma. essa foi apenas a primeira tentativa de morar sozinha. teve mais uma ~ morada até chegar na cama que eu estou deitada escrevendo isso no mais maravilhoso silêncio e orgulho de ter apenas: tentado.

um breve lapso de sentimento ao esquecer as contas da CEEE/GVT

ao escrever este texto é inevitável que não rolem lágrimas pelo meu rosto. eu sempre amei muito meus pais, e deixar eles tantas vezes não foi uma tarefa fácil. mas a vida chama, a responsabilidade tem que bater na nossa porta e a gente tem que receber ela, ah! e oferece um café pra ela viu? se não depois é pior.


no próximo texto a continuação da história de: “pra onde fui parar” depois da entrega do apartamento.

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