A Vida Ensina

(Ou: Humildes Lições de um Comunista Revolucionário)

Nos anos de luta revolucionária que acumulo, aprendi muitas lições. Aqui, nesse texto intimista (um dos raros que permito a meu espírito), compartilharei-as.

A primeira é: todos erramos. Neste perfil, por exemplo, quem tiver paciência, encontrará uma vigorosa defesa de minha parte à tese do “Golpe” de Estado peemedebista. Atualmente, discordo vigorosamente de tal hipótese, partindo do princípio que a burguesia, simplesmente, mudou os planos, sem golpear os pares (afinal de contas, poucos dias após o “Golpe”, PT e PMDB comemoravam a aliança de mais de dez anos).

Os erros, entretanto, são os pais e mães da aprendizagem. Sem que eu, tão abertamente, defendesse essa tese, jamais seria confrontado e, portanto, averiguado meu equívoco.

Com esta experiência, entre muitas outras, hoje concluo: quem teme errar, teme evoluir e aprender. Quem teme errar, enfim, não pode percorrer o duro caminho do conhecimento.

A segunda lição diz respeito aos inimigos do povo. A ingenuidade da juventude, do mundo colorido da burguesia, frequentemente tapou meus olhos e ouvidos para as opções verdadeiras de combate ao capitalismo. Apoiando a ideia final de paz, em um contexto onde tal conceito é uma bela mentira, vi-me muitas vezes sorrindo e aplaudindo aqueles que, no decurso da luta classes, provaram-se os mais cruéis dos bandidos para a classe trabalhadora.

A ingenuidade, todavia, não deve ser confundida, a meu ver, com a empatia. Esta última é uma qualidade humana essencial que, em nenhuma hipótese, deve ser negligenciada.

Ora, no combate à infame classe vampírica que domina nosso mundo, após percebermos os males da ingenuidade, costumamos cair na postura inflexível que fecha os olhos ao sofrimento. A luta deixou claro ao meu espírito: uma mulher ou homem que almeja transformar o mundo deve, também, sentir o mundo.

A terceira lição é o próprio sentido da vida. Na sociedade burguesa, o sentido de nossa existência é um mito especulativo bem articulado. Frases como “trabalhe naquilo que gosta e nunca precisará trabalhar” simplesmente buscam fechar nossos olhos: um analgésico para a opressão iminente e diária.

Eliminando as ilusões, conseguiremos ver os reais sentidos da vida: tomar partido e transformar.

Vivemos para a felicidade, mas não vivemos sozinhos. É justo e humano, por conseguinte, buscar transformar tudo e todos (para o melhor). Isto exige tomar partido, arriscar-se a ser um tolo, ser traído pelas emoções, etc.

Porém, o essencial é viver para o melhor. O mundo melhor. Este é, na minha visão, o sentido da vida.

Futuramente, poderei, é claro, descartar esse efêmero escrito. Contudo, até este momento, com entusiasmo compartilho essas lições que, no fundo, possuem apenas um recado essencial: venceremos.