Não foi um assassinato, mas sim o suicídio do Museu Nacional
Se o brasileiro é conhecido por sua memória curta, hoje, acordamos em uma amnésia plena. Não foram perdidos “somente” 200 anos da nossa história, já que essa é a idade do museu, mas artefatos que datam antes de 1818 se tornaram cinzas, como uma das mais completas coleções de literatura indígenas do mundo, e Luzia, o fóssil humano mais antigo encontrado na América, com cerca de 12 500 anos- entre outros 20 milhões de itens.
O Museu Nacional foi vítima do nosso insistente descaso com a cultura e a educação. Apunhalado anualmente pela falta de prioridade e investimentos, o museu fechou as portas em 2015 e 2016 por falta de verbas. Em 2017, o museu não tinha material de limpeza para mantê-lo em condições de visitação. Em 2018, a sua verba foi cortada em quase 85%, o que dava para cobrir somente medidas paliativas. Medidas essas que estão longe de conter esse fogo que acabou com estruturas, artefatos, e a nossa memória.
O Museu Nacional cansou de falar e externalizar a sua dor, ele cansou de ser torturado pela nossa ignorância, ele não aguentou mais sofrer abusos e cortes de verbas que dilaceraram a sua alma. Agora, não adianta querer achar um culpado porque ninguém o assassinou. Foi o próprio Museu Nacional, em um ato de livramento, que viu nas longas chamas uma maneira de finalmente poder descansar em paz. RIP.
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Só um lembrete, estamos celebrando o Setembro Amarelo- uma campanha de conscientização sobre a prevenção do suicídio. Falar é a melhor opção! http://www.setembroamarelo.org.br/

