A geração fluida e sua relação com o trabalho.

Fluido, segundo o Dicionário Michaelis significa como aquilo que corre como um líquido, fluente, ou aquilo cujas moléculas têm tão pouca adesão entre si que facilmente mudam de posição, e que, portanto, cedem à menor pressão. Observando a nova geração (e aqui posso falar com vivência pois também sou um de seus integrantes) e seus comportamentos nos diversos cenários da vida, vejo muita fluidez em sua composição e relacionamento.

Essa nova geração cresceu juntamente com a internet e consequentemente está acostumada com o imediatismo que essa ferramenta trouxe. Informações são processadas e acessadas em segundos e a partir de qualquer lugar, seja a partir de um computador, notebook, tablet, smartphone, relógio, óculos, geladeira, cafeteira e seja lá o que inventarem mais com acesso à rede (afinal, estamos presenciando o “boom” da Internet das Coisas. Acostume-se. Logo mais talvez enquanto você esteja usando o banheiro a sua privada lhe notifique sobre uma nova mensagem no Whatsapp). Além desse novo cenário de extrema facilidade no acesso às informações, surgiram as redes sociais que mudaram bastante nossas formas de interações sociais (para o bem ou para o mal). Hoje é muito comum sermos “amigos” virtualmente de pessoas que não conversamos pessoalmente ou sequer conhecemos, mas lá estamos conectados nas redes sociais, curtindo uns aos outros e compartilhando foto de comida ou memes de política para todos verem. Fazer uma amizade se tornou, muitas vezes, algo banal.

É a geração que não aguenta esperar segundos de um comercial, não consegue ouvir uma música até o final, que se algo está chato ou pedante, quer pular logo para a parte onde tudo fica mais legal. As relações, sejam elas pessoais ou profissionais, estão se tornando mais fluidas e isso é facilmente observado como por exemplo quando se verifica o tempo de trabalho de um jovem dessa nova geração, que dificilmente consegue ficar muito tempo no mesmo trabalho, pois se cansa facilmente e logo quer ir para outro desafio mais interessante.

É difícil dizer se essas novas interações são boas ou ruins, mas é interessante observar como essa ampla necessidade pelo imediatismo está afetando nossos jovens. Segundo o estudo chamado “Depressão e trabalho: o impacto da depressão em diferentes gerações de trabalhadores” feito pela consultoria Bensinger, DuPont & Associates, um em cada cinco profissionais da chamada geração Y diz que já se sentiu deprimido no trabalho. O jovem quer sair da faculdade e logo ganhar seu salário astronômico, para comprar seu carrão, seu apê e viajar para tirar várias “selfies”. Claro, isso é muito bom, mas para tudo existe um processo. Talvez isso demore para acontecer, e enquanto a sua hora de realizar suas conquistas materiais não chega, você está acompanhando seu colega de faculdade nas redes sociais ostentando tirando foto daquela viagem que você tanto queria fazer. Isso gradativamente vai tornando o jovem profissional da geração Y mais deprimido e insatisfeito com a sua carreira.

O segredo para isso não acontecer? Focar-se no seu trabalho, no que você gosta de fazer e compreender que tudo passa por um processo. Suas conquistas podem demorar para acontecer, mas tenha algo que para nós, que agora sabemos tudo (ou achamos que sabemos, graças ao Google), é muito raro: paciência. Se seguir o processo e fazer a sua parte, a sua hora vai chegar, pode acreditar.