Precisava voltar a escrever.

Desde pequeno sempre tive prazer e interesse em escrever. Era uma criança um tanto quando “nerd”, gostava de ler e escrever mais do que o normal. Desde aquela época via nas palavras escritas a melhor forma de expressão do mundo. Hoje, pelas muitas vezes em que gaguejo quando falo algo em público, co-co-co-concordo ainda mais com essa afirmação.

O tempo foi passando, fui crescendo e o prazer pela escrita me acompanhou. Escrever sempre me ajudou, nas provas do colégio, vestibulares, trabalhos da faculdade e atividades profissionais. A escrita me acompanhava tanto que acabei por conseguir espaço em alguns blogs e jornais impressos, o que me incentivou a escrever ainda mais. Acho que nunca ganhei um Temer sequer com a minha escrita. Não era algo que enriquecia meu bolso. Era algo que enriquecia meu eu.

Profundo, não?

Porém, por obrigações profissionais e acadêmicas, comecei a deixar esse hobby da escrita para trás, cada vez mais. Se antes eu escrevia uma vez por semana no mínimo, esse espaço de tempo começou a aumentar até que, quando percebi, não escrevia mais. E nem lia. Eram comuns as vezes em que pegava um livro para ler, deitava na cama, abria o livro e, depois de dois parágrafos, caía no sono.

A minha vontade de ler e escrever era vencida pelo son…zzzzzz…

O meu raciocínio começou a ser o seguinte: Bom, já que isso não me trazia lucro mesmo, não tem problema em parar. De fato, como disse, nunca ganhei nada escrevendo, mas quando pensava dessa maneira ainda não tinha entendido por inteiro a moral e motivo de eu estar escrevendo este texto agora. Automaticamente comecei a trocar pequenos hobbys individuais por atividades funcionais e que melhorariam (em tese) meu desempenho profissional. Ao invés de ler assuntos diversos que me interessam, comecei a focar apenas leituras específicas. Ao invés de escrever sobre vida, empreendedorismo ou qualquer outra alucinação que minha cabeça tem, comecei a focar apenas em escrever coisas relacionadas à assuntos de apenas um universo profssional. Não estou querendo dizer que isso foi de todo ruim, de forma alguma, tudo isso contribuiu e muito para minha carreira. Porém o que ainda não estava percebendo é que estava deixando para trás coisas que me faziam ser eu mesmo.

São comuns aqueles artigos com assuntos como: “5 formas de como melhorar a sua produtividade”. Acho que a grande dificuldade na verdade é nós não mudarmos nossa essência devido às obrigações do dia-a-dia.

Algumas perguntas da nossa vida nós não encontramos (feliz ou infelizmente) no Yahoo! Resposta. Nós acabamos tendo que encontrar essas respostas sozinhos, batendo cabeça ou tendo longas discussões com si próprio. A vida vai passando e muitas vezes ela nos faz esquecer de parar por algum momento e analisar tudo que está acontecendo ao nosso redor.

O mês começa, a gente recebe, paga conta, o mês passa, a gente sobrevive, o mês acaba. E tudo se inicia de novo, de novo, e de novo…

Essa rotina nos impede de parar para pensar coisas essenciais como: o que de fato é satisfação profissional? Onde eu quero estar daqui 5 anos? O que eu estou fazendo para ter orgulho de mim mesmo? E por aí vai…

O que quero passar nesse texto é que nós não podemos parar de fazer as coisas que fazem nosso cérebro ser criativo e descansar. E mais: Coisas que nos fazem ter prazer de acordar todos os dias. Quando escrevo, outras áreas do meu cérebro são utilizadas, sinto prazer quando termino um texto e, consequentemente, isso reflete no meu trabalho e na minha vida pessoal. Ter um hobby, portanto, é uma necessidade vital para todos nós.

Podemos deixar, por algum momento, as coisas que compõem nossa essência de lado. Mas um dia a conta vem…

A moral da história é: não foque todas suas energias apenas em coisas que irão enriquecer você como trabalhador. Por mais estranho que pareça soar, pensar demais em trabalho tem o sentido inverso no desenvolvimento profissional. Nossa mente tem uma capacidade incrível, porém temos que respeitar os seus limites.

Sucesso profissional é conseguir conciliar sua carreira e sua vida pessoal de maneira que uma não afete a outra.