As pequenas decisões da vida.

Se você ainda não jogou um RPG está perdendo uma oportunidade e tanto. Lembro-me do meu primeiro jogo ser um torneio disputado com minha irmã no time. Eu, um draconato muito amigável e minha irmã uma elfa arqueira muito sortuda, tínhamos que conseguir jóias do infinito (mas que cross-over, não?) para salvar a terra média e todas suas dimensões paralelas a ela. A mérito informativo, conseguimos 2 das 6, mas falhamos na missão de salvar o universo e tudo o mais, então não se sinta na obrigação de agradecer nos comentários.

Foram 10 horas de jogo em diferentes mesas e diferentes mestres, destas quase um décimo foi para construção de personagem. E é aqui que gostaria de criar meu ponto, porque fazemos isso todos os dias ao invés de seguir o jogo. Algumas vezes nos mantemos durante alguns anos ou meses, outras mudamos nosso personagem de acordo com o mapa. E ainda que seja triste, muitos de nós nos orgulhamos disto.

Um bom jogador de RPG sabe que trocar constantemente de personagem te faz voltar ao nível inicial de todas suas habilidades. Perdendo seus avanços, história, memória, habilidades, pontos de vida... Credo! Imagina uma vida onde você constantemente precisa apagar suas fotos, trocar de número, cancelar eventos, não poder trocar ideia com aquele amigo… Que bom que isso só ocorre no RPG.

Por outro lado, talvez você jogador de RPG, vá me dizer que manter o mesmo personagem sempre é chato pois seria “apelão” demais, poderoso demais, venceria os inimigos com muita facilidade. Bom, não vejo essa dificuldade na vida real. Mas se você já está em um nível 100 da vida, parabéns.

Como cristão, devo admitir que temos um hack. Temos mana e HP infinita. A mana, através do Santo Espírito, que age por nós, fala através de nós e nos capacita contra os piores dragões. Alterando uns valores de dados e dando algumas dicas de conhecimento que você não teria de acordo com seu nível. Quanto a HP nos dá vida eterna, para que caso nossa armadura (oh, isso fica para outro texto) quebre, estaremos todos juntos no grande Respawn.

Mas existem alguns pontos para esse hack. Cristo realmente nos restarta. Dizendo que somos novas criaturas e aceitando nossas classes pede que vivamos como paladinos, focados no certo, até que em certo momento nós mesmo queiramos ser paladinos, com nossas personalidades. Óbvio que por vezes jogamos armas amaldiçoadas fora para trocar por armas abençoadas, uma troca de entidade celestial causa isto, mas no geral, isso nos afeta mais internamente que externamente.

Porém preciso dizer que mesmo com esse hack, nós cristãos somos péssimos jogadores. Dizemos que temos hack, mas vivemos desativando para tentar algo sozinho. Falamos que somos paladinos, mas agindo como ladinos perdemos nosso contato com o hack de Mana.

E pensando nisso lembrei a parte mais divertida nos RPGs, e por consequência a mais importante. Pequenas decisões. Decidir se ajudo ou não o taberneiro, se fujo ou fico para defender o plebeu humilhado… São estás decisões que definem se eu sou a favor ou contra o reino, elas que definem as alterações de curso. Se busco poder e dinheiro ou me preocupo com o povo e o Reino.

E são nas pequenas decisões da vida que decidimos pelo Rei e seguir seus comandos. Porque quando chega a hora de defender o templo do Rei, conta o quão nos importamos com Ele e o quão válido é viver e morrer por ele. Nos encher de experiências ao se assentar na roda dos escarnecedores, com a intenção de ser é um deles, talvez nos faça rir um tanto, mas nos afasta da nossa fonte de Mana.

Talvez você esteja pensando que eu falo demais de Mana, e considera-se um guerreiro sem precisar usar magia. Mas saiba que aqui, constantemente precisamos deste(a) Mana. Talvez sua classe fonte não utilize dons espirituais, mas está te da sabedoria em batalha, quando desviar, quando atacar… Como vencer. Não somente por ti, mas por todo reino. Afinal, de que vale uma morte se ela não for épica?

Que nos lembremos que este personagem que vivemos, precisa recuperar a HP e Mana constantemente, precisando recorrer a fonte. Que possamos viver nas side-quests com tanta dedicação ao Reino quanto nas principais, pois todas a são. Que nossa busca por Cristo transforme nosso ser, enquanto somos cheios do Santo Espírito, sem se envergonhar da Verdade para sermos conhecidos pelo amor, apontando para o Reino.

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