#RIPDemocracia

Dilma, nem de longe, foi a melhor presidente que tivemos no Brasil. Suas decisões no âmbito econômico, sua falta de articulação com os diferentes poderes da esfera pública, sua péssima assessoria e seus feitos conservadores foram, em parte, responsáveis pelo que aconteceu hoje. Entretanto não posso me dar ao luxo de julgá-la por ser corrupta ou de pulso fraco.

Vimos uma mulher assumir o poder e, com força e coragem, enfrentar uma das piores crises que nosso país passa (não apenas uma crise econômica, mas também uma crise moral de proporções épicas). É fato que parte da culpa desta crise financeira é decorrente de suas políticas, mas uma presidente não pode afundar um país sozinha, mesmo que você queira que assim seja. O legislativo, teve sim, culpa no cartório, e continua não tendo moral para julgar ninguém. Boa parte dos excelentíssimos (?) senadores responde por corrupção no conselho de ética e no STF. Muitos são investigados pela PF. Será, então, que há alguma legitimidade nesse “julgamento’?!

O que vimos, na realidade, foi uma ferida hegemônica na democracia e no regime presidencialista que vivemos: O parlamento brasileiro retira, através de instrumentos legais, uma presidente que não cometeu crime algum (o próprio ministério público reafirma isso: http://politica.estadao.com.br/noticias/geral,para-mp-pedaladas-do-governo-dilma-nao-sao-crime,10000062862 ).

Sendo assim, mesmo que a forma seja correta (impeachment é previsto na constituição), a procedência é tristemente duvidosa. O Brasil, neste caso, abre um prececedente perigosíssimo hoje. Nenhum presidente democraticamente eleito poderá deixar de se submeter a intervenções do poder legislativo nas sua decisões executivas. Qualquer motivo, por mais delicado que seja, poderá servir para retirá-lo do poder, o que força o aumento dos cargos vendidos, da corrupção deslavada, etc, etc e etc…

Triste verificar, 52 anos depois do golpe de 64, que nossa República continua imatura#RIPDemocracia