Eu não estou aqui em mente. É uma sala escura. Apenas.

Existe uma sala escura. Vejo apenas a luz que vem da janela.

O som do ar condicionado está realmente me deixando inquieto. Resolvi olhar para os lados, mas só vejo árvores. Árvores essas tão lindas e firmes. Estão tão ventiladas e coloridas que me sinto em um filme musical no qual eu sairia dançando no meio da mata, largaria tudo para o alto e as folhas verdes cairiam sobre o meu rosto. Eu gritaria bem alto que a liberdade existe, e que o amor não vai nos machucar mais. Que existe sim o lugar para mim, para você, para todos. Eu subiria na árvore e me jogaria ao som de Climb every mountain, sem medo da gravidade. Quem sabe, talvez, eu conseguisse voar. Aliás, a vida é um constante vôo. Agora mesmo eu estou voando, voando tão alto que tenho medo da queda. Sinto uma agonia no meu peito, como se eu quisesse essa liberdade, mas estou preso.

Minha mente voltou para sala escura e com ar condicionado, na qual algumas pessoas fingem interesse por algo que talvez nem estejam entendendo.

Ah, quem dera se eu pudesse voar.

Quem dera ser firme e forte como essas árvores, apenas sentindo o vento forte batendo pelo meu rosto. Tocando com uma canção que alegrasse cada parte do universo.

Quem sabe acompanhado, quem sabe você não surge desses prédios em volta das árvores. Quem sabe você não corra ao meu encontro e diga que eu estava sempre em seus pensamentos sonhadores e que você também imaginava correr entre as árvores enquanto observava do outro lado do prédio em uma sala escura. Quem sabe você não esteja lá agora. Eu aqui agora.

Quem sabe, nunca saberemos.

As árvores estão lá, paradas.

Eu estou aqui por trás de uma parede.

Você deve estar nessa outra parede.

As árvores nos une, ou nos separa. Quem sabe. Nunca se sabe.

Quem dera saber.

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