Eu quero que os Travel Influencers vão à merda
Igor Mariano
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Nossa, adorei a reflexão. Estou justamente vivendo os mesmos dilemas. Desde que comecei a volta ao mundo, quase três meses atrás, não escrevi quase nada. Mas sinto falta. Sinto vontade. Mas entre conhecer todos os lugares, trabalhar, cozinhar, fazer exercício… é imensamente difícil conseguir fazer tudo e se manter sã. Eu ainda tô buscando o equilibrio.

E isso de que atualizar os stories ou os feeds do instagram, postar textinhos pequenos, editar fotos e etc. é algo que parece mais "fazível" do que sentar para escrever um artigo inteiro... Sinto isso também. Realmente parece. Eu sempre me conveço de que é, porque é isso que eu venho fazendo… Mas se for somar todas as horas que eu gasto nas redes sociais, postando ou me comparando aos "influencers", quando eu poderia estar escrevendo, nossa… Já poderia ter começado três livros.

Enfim, você se pergunta no texto por que criar (ou produzir, embora prefiro mil vezes a palavra criar. Produzir me faz sentir como se fôssemos máquinas). E eu queria recomendar uma masterclass muito legal sobre vida criativa que eu escutei recentemente e me fez ver tudo de outra forma. Ela está disponível num app chamado Calm (é um app de meditação, mas tem várias masterclasses em áudio disponíveis. Aliás, recomendo todas). Para usar o app não tem que pagar nada, mas para ouvir às masterclasses sim. Você pode pagar um mês e ouvir todas… Se chama Creative Living Beyond Fear.

ENFIM, nessa MASTER AULA, a Elizabeth Gilbert (escritora, não sei se você conhece) fala sobre o medo instantâneo que vem após uma ideia ou um impulso de criar algo, sobre como a criatividade não nos recompensa do modo como a nossa sociedade concebe recompensas ($$$), e sobre os motivos para criar. Essa passagem eu já tinha transcrito e te colo abaixo:

"You do this [criar, no caso] because everyone does this. People who came before us took the natural world around them and shaped it into new, extraordinary, strange, unknown alterations.

You do it to remind yourself that you’re not only here to pay bills and die, but to live in co-creation with the universe.

You do it because you want to be a participant in your life, not just a consumer.

You do it because our minds need creative activity. So you do it to keep your mind healthy.

You do it because at the end of the endeavor you are a different person, regardless of the outcome, you do it to see what it does to you. The process itself its its own reward.

And you do this because, what’s the alternative to doing it?
What’s the alternative to do and try something new?
The alternative is have your tomorrow look exactly the same as today. And for most of us, that is not going to satisfy."

E mais um adendo sobre o dilema de sentar e escrever ou visitar tudo que é possível durante nossas viagens — pensei muito sobre isso também. Pelo texto, parece que a sua conclusão é seguir no ritmo de ver mais e escrever menos. Há muitos anos atrás li uma entrevista de uma autora que eu gostava e ela dizia para aspirantes a escritores que era ok esperar ficar mais velho para escrever. Porque ela sabia que demandava tempo e que escrever de certa forma te isola. Sempre fiquei com isso na cabeça e meio que usei de desculpa para todos os anos que passei sem escrever.

Porém, na mesma masterclass da Elizabeth Gilbert, ela conta que quando tinha 20 e poucos anos, tinha três empregos e nenhum tempo pra escrever. Ela se queixava justamente de não ter tempo para começar seu livro.

Então uma amiga dela, mais velha e artista plástica famosa, pergunta pra ela assim: Qual seu programa de tv favorito? Que livros você tem lido? Onde você foi no seu último passeio? E ela responde tudo… x, y, z. E a amiga diz algo como "uau, eu vejo você dedicando tempo a diversas outras coisas que não são trabalhar no seu livro. Então tempo não é seu problema."

E a Elizabeth fica braba e responde que talvez ela tenha que começar a dizer não para coisas que ela não quer fazer.

E a amiga diz "não, querida, é muito pior do que isso. Você vai ter que aprender a dizer não para coisas que você QUER fazer."

E ela termina essa história assim: "what are you willing to give up to have the life you keep pretending that you want?

You are going to start learning how to say no to things that you DO want to do with the understanding that you only have ONE life, one sacred energy fuel and there is a triage-like-decision-making process that you'll have to make about where that energy goes. Which means you're gonna have to say no to a lot of things you do want to do because there is something you want MORE."

You’re gonna have to say no to A LOT of things you do want to do because there is something you want MORE.

Te deixo com esse pensamento. Dói aceitar, mas é verdade.

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