Você sabe o que é Design?

Muito se fala de design em relação a imagem e estética. Mas é muito mais que isso.

Design é somente visual? img: pixabay

Descrição de Design segundo a Wikipedia:

O design [dizáin] é a idealização, criação, desenvolvimento, configuração, concepção, elaboração e especificação de artefatos, normalmente produzidos industrialmente ou por meio de sistema de produção seriada que demanda padronização dos componentes e desenho normalizado. Essa é uma atividade estratégica, técnica e criativa, normalmente orientada por uma intenção ou objetivo, ou para a solução de um problema.

Então sabemos que design é um projeto onde, após uma idéia, acontece uma criação, desenvolvimento, e por aí vai até chegar no produto final. Mas até aí está descrevendo a criação de um produto, certo? Então pode ser qualquer coisa?

Aí temos esse complemento interessante pela Abra Escola de Arte e Design, em São Paulo.

Design não é arte, não é artesanato, não é publicidade, não é arquitetura e nem informática. Apesar dessa multidisciplinaridade, o Design prevalece como uma ciência autônoma que se faz valer da tecnologia e de outros aspectos em comum como, por exemplo, as ferramentas gráficas da informática, a influência e relações com os períodos históricos artísticos ou das pesquisas e fundamentações do marketing.

Opa, então o Design é um elemento externo? Uma influência, uma maneira de se pensar e de se projetar esse desenvolvimento.


Arte de Walter Adolph Georg Gropius

Vamos olhar para o passado para entender o presente.

Nesse artigo da Widewalls a jornalista Nadia Herzog consegue resumir bem a essência da origem do manifesto que moldou o Design como conhecemos hoje.

A Bauhaus é certamente uma das mais famosas escolas de arte da modernidade. Conseguiu com sucesso conectar arte e artesanato e fez essa fusão aplicada através de uma ampla gama de arquitetura, design, pintura, escultura, cinema, fotografia e outras artes visuais e artísticas.

A história da Bauhaus é facilmente confundida com a história do Design em si, pois realmente a influência dessa escola e de seus criadores serviu de base para o design como conhecemos hoje.

Prédio da Bauhaus em Dessau, arquitetura por Walter Gropius

Aqui estão os principais pontos chave de seu manifesto:

“O objetivo final de toda a arte é o edifício!”

Walter Gropius fez seu ponto desde o início do Manifesto da Bauhaus. A arte não é uma profissão, afirmou. Portanto, arquitetos, escultores e pintores devem retornar ao trabalho artesanal. Em outras palavras; artistas e artesãos são os mesmos. Retrógrados são os momentos de iluminação além da vontade do homem que podem permitir que a criação floresça do trabalho artesanal para a obra de arte, escreveu Gropius no prospecto. É por isso que ele queria recriar artesanato e apagar a barreira artificial entre artistas “nobres” e artesãos “trabalhando”. Para o objetivo da construção futura, ele afirmou que toda disciplina artística deve se unir como uma. É exatamente o que ele estava fazendo com a Bauhaus. Era um programa ambicioso destinado a libertar o mundo da arte de seu próprio isolamento. Eventualmente, tornou-se um dos movimentos artísticos mais influentes da história da arte. Era difícil imaginar que esse tipo de movimento faria frente facilmente nos Estados Unidos, por exemplo. Mas isso é exatamente o que aconteceu. Agora, é impossível caminhar em torno de qualquer cidade americana e não ficar intrigado com a grande quantidade de influência da Bauhaus em sua arquitetura.

Funcionalidade Dita a Forma

A regra básica do Manifesto da Bauhaus é que a funcionalidade começa a ditar a forma. É sobre produtos serem funcionais e únicos. Fazer coisas duradouras e econômicas cobrindo suas funções essenciais também é muito valioso. Com o início de um uso em massa das máquinas na época, os fabricantes precisavam re-imaginar e recriar suas visões e objetivos futuros.

Uso inteligente de espaço, materiais e dinheiro

Isso nos leva à próxima questão muito importante do Manifesto da Bauhaus — maneira econômica de se pensar. O que eles queriam conseguir era um financiamento controlado, projetos consumiam muito tempo realizados de maneira produtiva, uso preciso de materiais e espaço livre. É sobre o uso inteligente de recursos, com um ideal de desperdício zero sempre em mente.

Tudo novo, todo o tempo

A Bauhaus trata de novas técnicas, novos materiais, novas maneiras de se construir, nova atitude — o tempo todo. Ele enfatiza o futuro, o forte progresso e a constante evolução dos arquitetos, designers e artistas, bem como seu trabalho. Empresas em evolução levam à descoberta constante de descobertas novas, incomuns e surpreendentemente interessantes. A Bauhaus também influenciou o desenvolvimento do design gráfico no início da década de 1920. Antes disso, a tipografia costumava ser bastante esmagadora e cumprida com imagens. O design em si estava exagerado, de modo que o novo sistema foi estabelecido. Partiu de uma estrutura restrita para o uso de muito espaço negativo e fontes rígidas. O novo design nasceu.

Simplicidade e Eficácia

Não há necessidade de ornamentação adicional (desnecessária) e tornar as coisas mais e mais “lindas”. Elas estão bem assim como estão. É tudo sobre o chamado design orgânico, revelando a natureza dos objetos. A Bauhaus celebra formas puras, design limpo e funcionalidade. Ou, devemos dizer — multi-funcionalidade. O produto criado, seja um projeto arquitetônico, trabalho artesanal, design ou peça de arte, deve ser funcional. Essa deve ser sua principal característica. Tudo o resto segue. Ao contrário de uma ornamentação acalorada de edifícios como um dos principais objetivos das artes visuais, o movimento Bauhaus estava determinado a limpar a forma, mantendo o lado artístico, muito mais simples do que costumava ser. Para esse fim, arquitetos, pintores e escultores deveriam aprender o novo modo de composição, o que significava que a arte deveria ser trazida de volta para escolas e oficinas.


Inovação deveria ser o normal de todos os departamentos de empresas grandes e pequenas.

Conseguiu enxergar uma relação com o mundo corporativo? Empreendedor? Marketing? Sua vida?

  • Sair do mundo das idéias e teorias para começar a aplica-las em baixa escala como experimentos, coletando e analisando dados de forma inteligente.
  • Não adianta simplesmente mudar a embalagem ou a interface sendo que o Core do seu produto tem falhas ou recebe críticas constantes dos usuários. Visual é importante sim, mas se não seguir e complementar a função, então perde o sentido.
  • Melhorar a empresa não é simplesmente melhorar um serviço ou reformar uma loja, é retrabalhar todos os pontos de interação humana para ter um melhor aproveitamento financeiro e pessoal, ou seja, de onde vem sua matéria prima? Qual sua relação com o produtor? Como essa matéria chega na sua fábrica? Como ela chega na loja? Os funcionários sabem porque estão fazendo o que fazem? Eles estão conectados com o que você acredita? Funcionário não é assunto só pra RH não, eles são a alma da sua empresa. Como está a relação com seus Devs? Eles te admiram? Você como CEO, Diretor, Gerente, tem como responsabilidade o bem estar dessas pessoas porque elas que são a sua ligação direta com seus clientes.
  • Inovação é assunto pra outro post, mas a lição aqui é jamais parar no tempo, jamais sentar e esperar que as vendas aconteçam por si só. O trabalho duro não deve ser somente para vender o que tem, e sim para desenvolver a empresa que quer daqui a 10–15 anos.
  • Novamente: Visual é importante sim. Função por si só atrai aquele que sabe o que busca. O usuário que está na dúvida, que está lá atrás no funil meio na dúvida buscando entender e aprender a como resolver seu problema vai se atrair pela forma, pelo visual, pelo design. Seja seu produto uma sorveteria ou um aparelho celular.

Design está longe de ser aquele velho conceito de somente visual. É uma base sólida para uma série de princípios e abordagens que podem ser aplicados em praticamente tudo na nossa vida e daí que surge o Design Thinking. Pra mim esse conceito é muito natural sendo que saindo da faculdade de Design Gráfico e indo para outras áreas vi que muito que aprendi lá consigo aplicar em minha vida até hoje.

Continue aí que semana que vem o post será sobre Design Thinking, seus métodos abordagens e processos.

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