ME REFRESCA, MEU AMOR.

Não tenho mais calendários ou relógios porque saudade e solidão se fundiram numa mesma imagem, a de dias intermináveis. A morosidade da rotina de uma pessoa solitária sabe como ser cruel.
Deixei o Youtube ligado e Kid Abelha é a primeira banda que toca no meu mix. Paula Toller é linda, mas eu quero que sua lourice fabulosa suma da tela do meu notebook: o que me importa se hoje é dia vinte e três ,quanto falta para o fim do mês?
Mudo a música com a mesma vontade de mudar a posição dos dias, das noites, do ano que passou. São trezentos e sessenta e cinco dias desde a sua fuga, doze meses do meu enclausuramento.
Ainda é fevereiro, meu Deus
A moça da previsão do tempo disse ontem no Jornal Nacional que o verão está mais brando. Não tenho idade para as ondas de calor da menopausa, mas fervo por dentro, transpiro por poros que não imaginava ter. Não uso mais biquínis, não vou mais à praia. O sal que você tirava do meu corpo com a água fria do nosso chuveiro me esfola.
Minha pele envelheceu.
Continuo adoecendo e detestando o frio, mas preciso de ajuda para voltar a amar o calor e parar de ignorar os dias que não te trazem mais.
Te ganhei num verão, te perdi para a vida. Nunca me contaram que eu levaria séculos para me recuperar.
O abandono não tem dia, hora ou estação

DéboraSConsiglio