
O mais honesto de mim
Eu nunca soube fazer charme, apesar das inseguranças, sempre tentei mostrar tudo que eu era no bruto, genuinamente. Sempre fui doce, mas nunca soube fazer doce. Quando vi você, matematicamente, senti meu coração batendo 10 mil vezes mais do que eu estava acostumada, você me olhou e eu senti como se pudesse enfrentar qualquer guerra, matar qualquer presidente, acabar com todas as injustiças existentes, alimentar os que tem fome... Você me deu tanta coragem que eu cheguei a acreditar na minha capacidade de correr mil quilômetros em uma hora, eu nunca fui boa com números, muito menos em correr, mas tudo começou a fazer sentido quando você chegou, eu senti que era capaz de qualquer coisa.
Consideravelmente quando estávamos juntos, minhas inseguranças, seus traumas, meus transtornos, sua ansiedade, minha impaciência, seu fardo pesado demais para carregar, meu medo do escuro, seu abraço me dizendo que nada disso importava quando a gente estava junto. Porque quando a gente estava junto brilhávamos em qualquer espaço vazio e escuro, nosso amor inundava qualquer trauma, qualquer medo, tornando o fardo leve pra carregar, isso sempre foi sobre coragem, sobre nós dois, do que você foi e é, e do que eu aprendi a ser quando te conheci.
Ok, o mérito não é só seu, lembra que eu disse que sempre fui o mais bruto de mim? Eu não aprendi a ser assim com você, a honestidade sempre foi o de mais bonito em mim, não os meus seios como você disse incontáveis vezes em meio ao êxtase, nem a curva da minha cintura ou até mesmo o meu sorriso, são características herdadas, não mereço mérito por elas, mereço por tudo que sou e pela transparência que carrego. Quando doía, eu gritava sendo o mais honesto possível comigo. Quando você me machucava eu gritava com você, e não que eu me orgulhe disso, mas honestidade também pode ser sobre o quão já fui tóxica e ainda posso ser todos os dias, e sou corajosa o suficiente para falar sobre isso, a verdade é que quando se fala de honestidade é sempre muito difícil, todos esperam tanto de você, no mínimo a perfeição, e aí você começa a ver tanta gente afundada em mentiras por medo de ser o mais honesto de si.
E enfim, eu sempre fui, comigo e com você. Já você mentiu todas as vezes que me acusou de não ser, eu era, até em meio ao silêncio, era o mais verdadeiro de mim. Meus silêncios sempre falaram muito, evidenciavam o meu cansaço, a minha quase desistência, o meu desespero, sem força para pedir ajuda, meu silêncio sempre disse mais que a minha voz, bem mais do que quando eu me erguia e declarava que tal situação não podia se repetir, que tal fala sua me rasgava a pele, quando eu não falava, eu falava, não precisava ser nenhum perito em expressões faciais, era só olhar meus ombros caídos e minhas olheiras quilométricas.
Mas eu não o julgo mais, entendo que sempre falei muito e me perdia entre uma fala e outra, até mesmo nesse texto, costumo confundir as pessoas, e no final eu joguei todas as minhas expectativas sobre você, como se você tivesse a obrigação de olhar para cada ferida minha. Egoísta demais pensando em como me sentia enquanto você estava tão quebrado quanto eu.
