Oi Rafael, tudo bom?
Bem, eu contei apenas uma história, que foi a que mais me marcou. Em dois anos apenas nessa redação foram muitas como essa, por conta de desorganização, falta de comunicação, entre outros problemas. E eu nunca deixei de apurar nenhuma missão dada — nem essa daí, apesar de ter te parecido assim. Fiz tudo o que estava ao meu alcance. E, sim, era um ambiente limitante. De saco cheio, ali eu desisti, sim, do jornalismo. Já tinha bastante tempo de profissão e maturidade para saber o que eu queria da vida. Mas não acho justo carregar sozinha o fardo dessa desistência. Não acho que entreguei os pontos porque sou mimada e “não me deixaram contar a história do meu jeito”. É um pouco perverso colocar tudo na nossa conta: não me esforcei suficiente, não fiz tudo o que devia etc e tal. E a minha história é só mais uma, muita gente se sente assim. Talvez, como eu disse no texto, eu não seja mesmo uma boa repórter. Talvez seja necessário existir uma profissão que seja um meio termo entre jornalismo e esse outro algo que eu ainda não sei que é (contador de histórias?). Não sei. Mas uma coisa eu posso te dizer com certeza: minha mágoa não é pessoal, é profissional, estrutural. Feliz que você não tenha desistido, e nem que o jornalismo tenha desistido de você. Boa sorte!
