Fichamento | Manual de Jornalismo de Dados

Débora Cristina
Sep 7, 2018 · 5 min read

Atividade para a disciplina de Tópicos Especiais em Comunicação.


http://www.datajournalismhandbook.org/pt/index.html

O livro Data Journalism Handbook, em seu título original, tem a autoria de Jonathan Grey, Liliana Bounegru e Lucy Chambers e foi publicado em março de 2012. O seu intuito é ser uma fonte útil pra quem se interessa por jornalismo de dados, como um diálogo informativo sobre o que ele é, por que ele é importante e como fazê-lo, por onde começar.

Contou com a contribuição de muitas pessoas que foram contemplados no livro de acordo com suas diferentes versões, assim, os autores afirmaram que o livro não vai dar um repertório completo de todo o conhecimento e habilidade necessários para se tornar um jornalista de dados, mas que é um trabalho em curso e estão disponíveis para correções ou acréscimos.

O jornalismo de dados só se diferencia do "jornalismo de palavras" porque usamos ferramentas distintas. Ambos trabalham buscando a notícia, fazendo reportagem e contando histórias. É como o fotojornalismo; só que substitui a câmera pelo laptop.

Brian Boyer, Chicago Tribune

É dividido em 6 capítulos: Introdução, Na Redação, Estudos de Caso, Coletando Dados, Entendendo os Dados e Comunicando os Dados. Para essa atividade, vão ser destacados três tópicos do primeiro capítulo. Nas repostas para os questionamentos, foram apresentados os pontos de vista dos principais jornalistas da área em formato de citação. Aqui são alguns dos que achei mais interessante:

POR QUE O JORNALISMO DE DADOS É IMPORTANTE?

“O jornalismo de dados só se diferencia do ‘jornalismo de palavras’ porque usamos ferramentas distintas. Ambos trabalham buscando a notícia, fazendo reportagem e contando histórias. É como o fotojornalismo; só que substitui a câmera pelo laptop.” — Brian Boyer, Chicago Tribune

“O jornalismo de dados está diminuindo a distância entre os técnicos estatísticos e os mestres da palavra. Faz isso ao localizar informações que fogem ao padrão e identificar tendências que não são apenas relevantes de um ponto de vista estatístico, mas também relevantes para decodificar a complexidade do mundo de hoje.” — David Anderton, jornalista freelancer

“O jornalismo de dados cumpre dois objetivos importantes para as organizações de mídia: encontrar notícias únicas (que não sejam de agências), e executar a função fiscalização do poder. Especialmente em tempos de perigo financeiro, essas metas são bastante importantes para os jornais.” — Jerry Vermanen, NU.nl

“É mais fácil aceitar o valor de face dos números do que o de outros fatos, já que carregam uma aura de seriedade mesmo quando são complemente fabricados. A fluência no uso de dados ajuda os jornalistas a analisar os números com senso crítico, e certamente os ajudará a ganhar terreno em seus contatos com assessorias de imprensa.” — Nicolas Kayser-Bril, Journalism++

“Na era da informação, jornalistas são mais necessários que nunca para fazer a curadoria, verificar, analisar e sintetizar a imensidão de dados. Neste contexto, o jornalismo de dados tem uma importância profunda para a sociedade.” — Alex Howard, O’Reilly Media

“Uma forma de economizar tempo: Jornalistas não têm tempo para gastar na transcrição de documentos ou tentando obter dados de PDFs, de modo que aprender um pouco de programação (ou saber onde buscar pessoas que podem ajudar) é incrivelmente valioso.” — Pedro Markun, Transparência Hacker

“Podemos pintar histórias de toda a nossa vida por meio de nossos rastros digitais. […] Esse universo de informações pode vir à tona para contar histórias, responder a questões e oferecer uma compreensão da vida de uma maneira que atualmente supera até mesmo a reconstrução mais rigorosa e cuidadosa de anedotas.” — Sarah Slobin, Wall Street Journal

“Você não precisa de dados novos para dar um furo: Às vezes, os dados já são públicos e estão disponíveis, mas ninguém olhou para eles com cuidado.” — Jonathan Stray, The Overview Project

O JORNALISMO GUIADO POR DADOS NUMA PERSPECTIVA BRASILEIRA

“ Pode-se dizer que, hoje, o jornalismo guiado por dados ‘está na moda’. Além da popularização das ferramentas e do apelo comercial de visualizações e outros produtos relacionados ao JGD, foi importante para isso a adoção de políticas de acesso à informação e transparência por governos de todo o mundo.

“No Brasil, existem cada vez mais jornalistas se preparando para atuar nesta especialidade […] Um dos principais indícios deste interesse foi a criação de uma equipe dedicada apenas ao jornalismo guiado por dados na redação de O Estado de São Paulo, pioneira no Brasil, no ano de 2012. Em agosto do mesmo ano, a Folha de S. Paulo passou a hospedar o blog FolhaSPDados.

Estes exemplos sugerem estarmos vivenciando os primeiros passos de um movimento de institucionalização das práticas de jornalismo guiado por dados nas redações brasileiras. As bases do sucesso do JGD no país, entretanto, foram lançadas nos anos 1990.

Esse breve histórico sugere que o jornalismo guiado por dados não foi assimilado pelas redações brasileiras através da divulgação promovida por associações profissionais internacionais, imprensa e jornalistas, que tem se intensificado desde 2010, mas vem sendo constituído como prática na cultura jornalística brasileira em paralelo com o processo de informatização. Todavia, pode-se inferir que o interesse crescente de empresas e profissionais do mundo inteiro pelo jornalismo guiado por dados alimenta e incentiva o interesse pelo tema nas redações do Brasil.

O interesse das redações brasileiras e mundiais pelas práticas de jornalismo guiado por dados não está ligado apenas a seus benefícios para as rotinas produtivas e o atendimento do interesse público, mas também à esperança de salvar uma indústria em decadência justamente por efeito das tecnologias digitais.”

Marcelo Träsel, Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul

EXISTE JORNALISMO DE DADOS E VISUALIZAÇÃO NO BRASIL?

“Existe jornalismo de dados e de visualização no Brasil? Existe. Está crescendo? Quero acreditar que está, mas não de jeito sistemático e organizado, e não na grande mídia. Sendo honesto, tenho pouca esperança de que estas técnicas e ferramentas vão criar raízes profundas nela […] Aqui estão alguns dos principais motivos: A alergia ao pensamento lógico, racional, e quantitativo; A falta de conhecimento dos rudimentos de métodos de pesquisa; O ensino universitário do jornalismo; A obrigatoriedade do diploma.

Hoje é muito difícil achar jornalistas diplomados que, ao mesmo tempo, tenham conhecimentos científicos ou técnicos profundos. […] Como consequência, a grande mídia precisa contar com especialistas (cientistas, economistas, sociólogos, etc.) como repórteres e editores, e também com profissionais de ciências da computação para colaborar na análise profunda e na gestão de dados.

Na situação atual, portanto, é impensável que mesmo os melhores jornais do país reproduzam o que grandes meios de comunicação dos Estados Unidos — The New York Times, The Washington Post, The Boston Globe, LA Times, ProPublica, The Texas Tribune — estão conseguindo: juntar equipes multidisciplinares que sistematicamente criam complexos e profundos projetos de jornalismo de dados, visualizações e infográficos interativos. Essas publicações não consideram o jornalismo de dados acessório ou enfeite, mas elemento central das suas coberturas que não só dão prestígio, mas também atraem leitores.

No que é que baseio minha esperança? Em primeiro lugar, em corajosas iniciativas dentro dos grandes veículos jornalísticos. Em segundo lugar, indivíduos e organizações além da mídia tradicional estão mostrando uma criatividade invejável.

Quem sabe, talvez sejam estes […] os que ocupem um espaço hoje quase vazio, e os que cumpram uma parte importante da tarefa de informação pública que, em tempos anteriores, correspondeu à mídia tradicional. O futuro promete, em qualquer caso.”

Alberto Cairo, Universidade de Miami

    Débora Cristina

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