Eu tenho muita coisa para te dizer, sinto uma necessidade imensa de conversar com você sobre as coisas mais bobas do meu dia. Mas quando chego perto de você não consigo verbalizar uma palavra sequer. Fico muda. Meus olhos te engolem e isso me deixa tão imersa em você e em mim que me calo. Isso me deixa tão profundamente saciada e repleta de bons sentimentos que me calo. Isso é assustador e bom. São poucos os momentos nos quais eu não esteja falando descompensadamente e incrivelmente isso ocorre quando você chega. Antes de te ver, durante o caminho ao teu encontro eu sigo ensaiando palavra por palavra, frase por frase; como uma menina que vai até a venda repetindo o nome da marca do café preferido da avó, mas que quando chega ao balcão acaba esquecendo e volta para casa de mãos abanando. Isso deveria ser ruim, penso eu, pois agora descobri que nesse mundo e nesse tempo no qual vivemos – um existencialismo putrefato –, temos que por obrigação estarmos falando e felizes sempre e sempre. Não que isso também não seja bom, mas acontece que em alguns momentos a experiência do não-dito é mais profunda que a tradução hermenêutica da palavra. Algo que não perde o sentido se entendida e questionada muitas vezes, já que não se pode entender e questionar o não-dito, apenas sentir. Não digo que é amor, ao menos não o amor já entendido e questionado tantas vezes por nossa fracassada humanidade. O máximo que se pode dizer é o não-dito. Sinto o inexplicável quando me aproximo de você e sei que quero mais, sei que quero ficar ao teu lado, encrustada em teu corpo 24h só para sentir mais um pouco, mas isso seria a mais tola atitude a ser tomada nessas circunstâncias. Pois sei que o amo por não poder tê-lo 24h para o meu puro egoísmo. É agora que Platão entra com todas aquelas linhas sobre a febre da paixão? Ou já estou confundindo as filosofias com minhas vãs arriscadas filosóficas nos debulhamentos lacrimais dos começos de madrugada? Enfim, não consigo dizer o que sinto quando me afogo em teu peito. Mas sinto.

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