Volte para casa.

Foi enquanto as pessoas escreviam seus medos em letras miúdas.

Foi enquanto eu olhava o papel em branco

foi aí, nesse momento, que você sussurrou no meu ouvido: “ tenho medo de não ser quem você espera”.

Dizem que a gente só ama uma vez. Sempre achei isso muito perigoso… E se o amor passar por nós sem que a gente perceba? Teremos perdido aí a única chance que a gente teve de amar?

É que depois de dias a martelar isso tudo na minha cabeça a ideia de te ligar me pareceu a única saída, por falar nisso, eu acabei de lembrar da menina que atravessa o labirinto e nem sempre é pela procura da saída.

Naquele bar na Suíça onde jantamos, vimos a cidade se acender, o garçom sorriu quando notou seus olhos fixados no meu rosto. Foi nesse instante que você me perguntou sobre os poemas que havia visto.

A verdade é que eu preferia teu sotaque britânico, tuas pernas compridas a passos largos.

É preciso coragem para abrir a porta de casa e escancarar o posicionamento caótico dos móveis logo após uma avalanche.

Você sabe que não me conhece mas sabe também que quer conhecer e isso deveria bastar, se não basta, deve ser porque saber da imensidão do mar não te apavora, mas com você eu aprendi que tudo bem ter dúvidas, nem sempre a vida nos dá um ponto para traçarmos uma reta além disso, perderíamos todo o charme das inesperadas curvas e por falar em inesperadas, que bom é receber notícias suas, você a contar sobre o seu novo trabalho e sua maré calma e a perguntar da minha viagem a terra dos pecados, tudo isso como se não houvesse um abismo de tempo e espaço entre nós.

Dizem que o amanhã nunca chega e, não importa a frequência com isso é repetido, parece que a maioria de nós tende a esquecer a verdade contida essa frase.

Se isso é amor? eu não sei.

Você repetiu isso nos quatro idiomas sagrados.

E me atirei no vazio sem a proteção do cabo elástico amarrado aos pés, sem ressalvas, sem rede de proteção escondidas, simplesmente saltei, não pensei no que viria depois. O importante foi o ato e o arrepio que foi provocado à medida que beijei em queda livre pela imensidão do céu.

Me perdoa te falar isso só agora, mas é que os quase 20 me ensinaram que é preciso estilhaçar os medos, os meus e os dos outros e, talvez pra ti seja meio difícil, mas se prepara.

Você não é o que eu espero

porque pra mim, você é uma curva

e curva a gente não espera

a gente agradece,

Obrigada.