De mim pra eu mesmo

Acho que todo mundo que tá em meio de uma crise de identidade faz uma carta para o seu futuro dizendo como espera estar daqui a não sei quantos anos. Talvez tenha chegado a minha vez, mas não de conversar com o meu de daqui 10, 20 ou 30 anos, mas sim com o meu de agora. Uma espécie de cara de mim comigo mesmo.

Deitado, às 2:34 da manhã, com a luz acesa, olhos lacrimejando devido ao sono e a vontade de chorar que não se transforma em sequer uma lágrima, o que eu poderia dizer pra mim mesmo? Não sei, mas vale a pena a tentar.

Não sei, acho que existe uma mistura de felicidade e tristeza, angústia e felicidade, incerteza e plenitude por tudo aquilo que eu sou agora. Um jovem de 22 anos, recém-formado, sem emprego, meio perdido e com uma certa vontade de ganhar o mundo.

Olho para o meu passado, para as pessoas ao meu redor, e sinto um pouco de orgulho de mim. Não é todo mundo que se forma em Jornalismo aos 21 anos, depois de entrar um dos cursos mais concorridos do país aos 17. Mas, confesso. Todo esse orgulho vai embora quando eu olho pra mim e vejo na situação que estou. Sem emprego e sem muitas perspectivas na vida. É claro que há muito drama nessa minha história, pois tenho bastante coisa que muita gente não tem, mas sei lá, falta algo, e não saber o quê é da uma angústia tão grande.

Talvez, falte um pouco de amor próprio, sabe? Aquela questão de você acordar, olhar na frente do espelho do banheiro e dizer “eu sou foda pra caralho!” como eu fazia diversas vezes quando o desânimo batia na época do vestibular. Até por que, mesmo sem emprego, existem 1001 possibilidades à minha volta, e eu insisto em não enxergá-las, quer dizer eu fingir que não as enxergo.

Afinal de contas, que jovem, aos 22 anos, poderia se dar ao privilégio de poder ficar estudando pro mestrado sem se preocupar com nenhuma outra coisa. Pois é, muito poucos! Mas eu posso e não faço! Sei lá, é tanta pressão, que, com certeza, esse ano eu talvez não tente fazer a prova.

Mas que pressão, Douglas? A falta de emprego, a falta de paz em casa. A falta de percepção das pessoas que do jeito que as coisas estão, daqui a pouco eu vou surtar! Não dá pra continuar, mas sei lá, o quê fazer pra mudar?

Talvez, eu pudesse encontrar um emprego fora da minha área, uma coisa que me permitisse juntar uma grana para eu finalmente buscar a paz que eu realmente preciso para viver como uma pessoa normal que não vai ser julgado, criticado por fazer aquilo que acha certo, que não está ferindo ou fazendo alguém sofrer. Mas falta coragem, falta mais uma vez acreditar em mim próprio!

Tenho certeza que eu esteja me cobrando demais, que não dê valor a todas as minhas qualidades e só fique pensando nos meus defeitos e que isso só atraia coisas negativas, mas ao olho ao redor e vejo as pessoas ganhando o mundo, saindo do lugar, e eu aqui, parado, estacionado, esperando a minha hora chegar. E se ela tiver chegado, e eu não tenha percebido? Será que ela vai chegar?

Isso tudo não tem a ver em ser cheio da grana, mas está feliz com si próprio, em se orgulhar do que você, em estar pleno com a vida que estou levando, e eu não tô assim. Por sempre achar que a grama do vizinho é melhor ou talvez não, pq ainda não chegou a minha hora mesmo.

Talvez eu me cobre tanto por que das pessoas de quem eu sempre esperei elogio, sempre vieram críticas e cobranças, para elas nunca está bom o que faço, mesmo que eu esteja fazendo melhor e também há o fato de que as promessas que são feitas nunca são cumpridas. Sempre diz que vai fazer, se mexe com sonhos e depois se desistem. colocam fogo na palha e apagam de uma hora pra outra sem me consultar.

Isso também pode ter contribuído pra eu ter perdido o tesão na vida, já que todo que faço vai ser criticado, eu vou lá, faço de qualquer jeito ou simplesmente não faço. É uma situação muito complicada!

Eu sei que sou muito bom em muitas coisas que faço! Meus textos são ótimos, poderiam ser mais criativos, mas isso a gente pega com a prática e lendo muito, sei fazer comida que sempre é muito elogiada, tenho olhar para a fotografia, sou uma pessoa inteligente, mas mesmo sabendo parece que eu não acredito, pois sempre estou buscando a aprovação do outro, sempre quero que o outro diga esteja bom. Sou uma pessoa carente de elogios e que não sabe lidar com eles, pois sempre acho que dentro dele está uma ironia embutida, talvez pq eu adore uma ironia na hora de criticar algo.

Meu emocional tá fudido, meu psicológico nem se fala! Mas fazer o quê pra mudar? Como mudar? Eu não sei mais!

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