Miga, apenas, pare!

O texto a seguir está longe de querer falar sobre “ditadura gay”, ou coisa parecida, até por que isso não existe. As centenas de casos de gays que são mortos, assediados e abusados sexualmente por serem homossexuais não permitem que nenhuma pessoa tenha coragem de ousar em falar um termo tão abominável como esse, mas sim falar sobre um fato que me incomoda muito, e tem me incomodado ainda mais, nos últimos tempos.

O que vem me incomodando tanto é o fato de centenas, de milhares de gays acharem que todos nós devemos ser iguais. Como se o gay saísse de uma fábrica moldado a gostar de tudo do que, em tese, a maioria gosta. Todos os gays tem que ouvir diva pop, ser engraçado, falar gírias gays e entender de moda. Basicamente, são esses os requisitos pra você ser um gay de verdade. Quando o único fato que prova e que nos faz ser gay é: gostar de pessoas do mesmo sexo.

Além de alguns tentarem definir o que é ser gay de verdade, eles passam a discriminar quem é diferente deles. Se você, por exemplo, gosta de coisas como esportes, outros tipos de música, carros, começam a te chamar de hétero ou de “não totalmente inciado” no mundo gay. Te estereotipam pelo simples fato de você não curtir as mesmas coisas. É o que também fazem com o gay que dá mais pinta que os outros. O começam a chamar de afeminado, mulherzinha, como se existisse uma escala richter da homossexualidade.

Essas considerações podem ser vistas por muitos como uma brincadeira entre amigos, mas elas escondem na verdade o espaço simbólico aonde a sociedade acha que os gays devem ocupar dentro dela. E quanto mais gays compartilharem essas ideias, mais difícil será combater o preconceito nos lugares e atividades consideradas “somente para héteros”. A ideia de que cada nicho da sociedade ocupa um lugar específico nela ainda é muito presente para diversas pessoas e devemos sempre combatê-la, ao invés, de corroborar para isso.

As mulheres ainda sofrem com o preconceito e lutam para que o lugar delas seja aonde elas quiserem e é fundamental a solidariedade entre todas elas. Se hoje, a mulher entra em espaços, que majoritariamente, eram masculinos décadas atrás foi por quê, além de muita luta, elas se juntaram para construir um mundo melhor para elas.

A mesma coisa devia acontecer com os homossexuais para que todos tenham o direito de estarem no lugar que quiserem e quando quiserem. Seja ele na moda, no esporte, na política, ou aonde quer que seja. Ao invés de recriminar o seu amiguinho que é diferente de você, pare e pense se você não está fazendo a mesma coisa que critica nas outras pessoas. Criando um espaço social que não existe para pessoas que pensam e agem diferente de você. Como muitos gostam de dizer, MIGA, APENAS PARE!

Texto escrito em 15/11/2016

One clap, two clap, three clap, forty?

By clapping more or less, you can signal to us which stories really stand out.