Não tá tudo bem — e tudo bem.

Seja em mesas de bar, ou esperando elevadores, ou em pillow talks, a insistência é sempre a mesma.

- Mas me diz por que tu não tá bem.

Definições e questionamentos e eu não gosto de nenhum, tu sabe, todos sabem. É clichê dizer que não é tu, que sou eu, mas na maioria das vezes não é tu mesmo. Quando for, tu vai saber. Tô trabalhando aquele negócio do rancor que conversamos. Eu só não quero vazar, meu revestimento é caro. E não quero ser a que tá sempre mal nas relações. Vou rir alto e vai fazer eco em ti. Vou escapar da minha zona de conforto pra nossa de confronto. Tu nem vai saber dos choros no banho que já ocorrem no banho pra eu não saber diferenciar o que é lágrima do que é água. Eu não sou contagiosa, pode te tranquilizar.

Pensa em mim como um desses dias de calor intenso que antecedem um temporal. Eu não gosto muito deles, mas eu sei que tu sabe aproveitar. Vai lavar e secar a roupa antes que chova. Eu sirvo pra muita coisa antes de chover também. Lembra quando eu falo que prefiro tirar a roupa na frente de alguém a mostrar certas coisas que escrevo? Acho que minha primeira versão já foi vista por gente demais, então tô escrevendo isso daqui. Pode ler. Não tá tudo bem. Mas tudo bem.

*”tu” é genérico.

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