O ano que nasci
O ano em que nasci tinha Tina Turner tocando no rádio
e o mundo descobria que a leveza era insustentável
O ano em que nasci o universo ganhava alguém confuso
e cheia de vontade de existir nesse mundo
O ano em que nasci caiu o poder do AI-5
Começavam a fraquejar os milicos
O ano em que nasci teve comício, sim
e as Diretas Já estavam a caminho por aqui
O ano em que nasci houve mais militância pelo mundo
uma militante do amor e da felicidade, nascia
O ano em que nasci era desses que tem a mais um dia,
em que é maior o mês das fantasias
O ano em que nasci teve Gremlins e Indiana Jones,
Broadway Danny Rose, Caça Fantasmas e Karatê Kid também
O ano em que nasci foi o Ano da morte de Ricardo Reis,
enquanto Prince cantava Purple Rain
O ano em que nasci teve Macintosh da Maçã,
Powerslave do Iron Maiden e o disco do Titãs
No ano em que nasci, Michael lançou um Thriller
e Maddona dançou Like a Virgin
No ano em que nasci, houve uma prece em nome do amor
cantada por irlandeses chamados U2
No ano em que nasci, o Marina brincava de ser Fullgás,
o Último romântico era o Lulu Santos, e João Paulo fazia uma prece pela paz
O ano em que nasci teve seu próprio livro para si
e o início de uma vida pra mim
Eu gosto de textos engraçadinhos. Textos com piadinhas, trocadilhos, e associações de ideias que nem todo mundo entende. O problema é que quase nunca gosto desses textos por muito tempo, quando sou eu quem os escrevo.
Em 2015, tive acesso a um desses sites em que você vê o que estava tocando no rádio e as principais notícias de jornais de determinado ano. Achei muito legal e escrevi um poema. É bobo, eu sei, talvez devesse editar, mas por hora não vou. O ano é 1984.