Oh, Chet…

Happy Valentine’s Day (but not for me)

Sim, é assunto de ontem, mas não tenho culpa que as coisas acontecem quando bem entendem (e geralmente de um jeito bem desagradável) na minha vida.

Sempre curti o lance do Valentine’s Day por sua história envolver amores proibidos, imperador louco, não ser só coisa de namoro certinho. Ao contrário do nosso, que foi criado pelo pai do atual prefeito de SP pra fazer o comércio girar (e é agora que eu quero que o dia 12 se foda mesmo).

Aí estava lá. Na maior sweetness. Toda felizinha. Fiz até um programa de rádio especial para data.

E, juro por deus, não esperava nada demais. Coração que já passou por moedor de carne mais de 10x sabe que expectativa é a mãe da decepção. Eu só queria ficar de boa.

Eis que começou. A chuva de treta. Every-fucking-where. And I’ve lost control again. E voltei praquele lugar que eu odeio na minha cabeça. O meu pior.

E o que me restou foi passar um tempo com um dos meus. E o escolhido foi você, Chet. Todo errado. Largou o colégio pra ir pra banda do exército, aí largou o exército pra ir pra banda do colégio de novo. Aí, foda-se, foi pro exército de novo pra tocar com as tropas. Aí deu a loca e jogou tudo pra cima e começou a tocar por uns lugares aí. Até encontrar seu mestre, Charlie Parker. Tão bonitinho, uma voz tão linda, e tanta, tanta, tanta dor, que descontava, claro, nas drogas. Um dia, numa dessas brigas que vivia se metendo perdeu os dentes da frente e teve que reaprender a tocar seu trompete. Vivia em cana. Foi embora desse mundo antes dos 60, de um jeito confuso e misterioso que só os rockstars conseguem.

Enfim, um cool jazz perfeito para acompanhar a melancolia de um dia arruinado em todos os sentidos. Me chamou a atenção como com mais de 100 (CEM) discos disponíveis no acervo do Spotify, as 5 mais ouvidas eram do meu álbum favorito, “Chet Baker Sings” (1956).

Cheguei a pegar esse disco na mão quando estava comprando livros sobre música há uns anos, quando podia me dar a esses luxos. Era esse disco ou 3 livros. Imbecil que sou, levei os livros (nem lembro quais eram). Como me arrependo.

Daria tudo para te ouvir em vinil na noite de ontem, na manhã de hoje, e em tantos outros dias em que eu estivesse perdida em minha própria escuridão. Só você, que passou a vida quase se afogando na sua, seria capaz de me entender. My funny valentine.

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