Uma Dirty Talk maravilhosa chamada Cigarretes After Sex

Eu tenho que parar com essa mania de escrever texto bêbada enquanto amanhece.

Sempre me senti ofendidíssima com o ~Discover Weekly~ do Spotify. Era cada sugestão manjada que tinha vontade de gritar o detestável (porém realmente necessário) “VOCÊ SABE COM QUEM ESTÁ FALANDO?”.

Era quase um afronte.

Mas reconhecendo minha parcela de neurose em querer chamar um coitado de um algoritmo pro pau, sempre dava uma olhada. Eis que num dia aleatório, apareceu como sugestão a banda Cigarretes After Sex. Apesar do nome anos 90 bem do manjado fui ver qual era.

E me despedacei.

Era algo novo, sexy, sincero, envolvente, pessoal, acolhedor, íntimo, feito especialmente para VC, sussurando seus pensamentos mais inconfessáveis de um jeito irresistível, te despindo de todas as suas defesas e fazendo com que você se deixasse conduzir levemente para aquela dimensão em que o tempo não existe, e tudo pode acontecer, que só os daydreamers conhecem.

Ocupando perfeitamente o doloroso vácuo em que o trip hop nos abandonou, o Cigarretes veio nos salvar de nós mesmos, reféns de fotos cheias de filtros, adeptos a escolher pareceiros que nem queremos conhecer em aplicativos, e dependentes desse jogo doentio em quem se importar menos ganha.

Em cada compasso, sussuro, e palavra obscenamente sincera, a banda dá um sacode coletivo, e nos mostra o prazer do calor da respiração no pescoço, da ligação tudo-ou-nada no meio da madrugada, dos dedos deslizando pela nuca, pela palavra certa, na hora certa que faz você duvidar até da própria existência, e do olhar profundo e revelador durante a intimidade máxima, hoje tão banalizada.

A banda lançou apenas singles e já é mais intensa que a maioria dos relacionamentos que já tive.

E eu que nem fumo, peço encarecidamente: please, keep it sexy. Keep it real. And for God’s sake keep me this wet.

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