expointer — animais como via de lucro e show

todo ano no rio grande do sul, acontece uma feira realizada na cidade de esteio chamada expointer. nessa feira há uma exposição de bovinos, equinos, suínos, máquinas agropecuárias, produtos agrícolas, industriais e artesanato. esse ano inventaram algo novo, ou então que eu não conhecia ainda: o “bezerrário”. o bezerrário é um local onde vacas dão à luz a seus bezerrinhos e eles ficam expostos ao público que se diverte tirando selfies e fotografando os animais para possivelmente postar nas suas redes sociais. como vegetariana, ainda não tive coragem de colocar meus pés na feira de esteio. confesso que ler as notícias da expointer me traz muita tristeza por conta da exploração de animais que são expostos e vendidos para o consumo de carne e leite. penso que essas vacas que estão ganhando os bezerrinhos em plena feira foram programadas para isso, para ter mais uma “atração” e assim também produzem bastante leite para o lucro dos “proprietários”. vocês sabem que para produzir bastante leite, as vacas precisam ficar prenhes e assim vai mais leite para humanas e humanos do que para o filhote. a expointer é um evento governamental e uma das maiores fontes de economia do rio grande do sul é a agropecuária, então, essa feira traz um certo “lucro” para o governo e para os produtores (geralmente fazendeiros com muitos hectares de terra). para quem vive na redoma vegetariana, passar na frente de um açougue gera muitos calafrios, imagina passar por uma feira que vende os animais vivos? no açougue você não pode mais fazer nada porque os animais foram mortos, mas imagina andar por um lugar que ainda daria tempo de salvá-los? claro, de momento isso é apenas uma utopia de quem ama animais de qualquer porte. como vivemos em uma era com mais informações a respeito de vegetarianismo, saúde e bem estar, acredito e boto fé que um dia o consumo de carne ficará na história e portanto, espero que em vez da carne ser um fator econômico, a economia solidária passe a ser o grande fator econômico num estado que prega um tradicionalismo arcaico e machista. na economia solidária, o plantio é consciente, as trocas são justas, não existe a visão do lucro desenfreado em cima da exploração, mas existe um equilíbrio entre humanidade e natureza. sim, pode ser algo por demais sonhador, mas quem disse que grandes atitudes que deram certo, não vieram de sonhos?

Fonte das fotos: http://www.expointer.rs.gov.br/inicial
