O calabouço

Era um alívio sereno, como a sensação de vento batendo no rosto, descendo pelas minhas narinas.

Uma alegria provocada pelo transbordamento de tristezas e angústias acumuladas, qual barragem rompida de rio, trazendo lágrimas pesadas e com gosto de sal.

Há uma década, eu estava ali.

Era eu, trancada por mim mesma.

Hoje, destranquei-me.

Libertei a mim mesma do calabouço frio de onde voluntariamente me aprisionei. Abri o portão pesado das minhas próprias críticas e julgamentos, tal ferro e aço a sufocar o meu coração.

Eram tantas vozes e era tudo tão confuso, que eu não conseguia me ouvir.

Foram dez anos até aprender a reconhecer-me, até descobrir que a chave esteve sempre ali, à espera do meu pequeno porém audacioso movimento em direção à libertação.

Eleutheria. Libertas. Liberdade.

Ó comadre ausente de minha vida, onde estavas?

A gente se abraça.

Sinto-me ferida. Ainda com as roupas sujas, encaro o límpido caminho que se desenrola em minha frente. Sinto o cheiro de terra molhada. O movimento apodera-se do meu corpo e impulsiona-me em direção à imensidão ofuscante da vida.

Decidida, sigo a sombra da minha esperança, que se orienta pela sabedoria de minh’alma. Leve, sigo como alma inquieta e recém-liberta, porém, agora, sabedora de ser livre.

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