Historinha

Essa é uma historinha que eu escrevi há muito tempo atrás e contá-la de novo parece certo ou propício:

Eu tinha 14 anos. Sempre fui o clichê de adolescentezinha que abre mão da própria felicidade pra agradar todo mundo e vivia com o nariz dentro dum livro.

Conheci ele num intervalo. Ah, tão engraçadinho me contando mil coisas da própria vida e como estava chateado porque gostava duma fulana linda que era minha amiga. “Eu posso te ajudar.” — disse a pobrezinha eu.
E nessa história eu me apaixonei perdidamente por quem viria a ser o meu melhor amigo. Eu nunca tinha trocado um beijo com ninguém, achava que meu grande amor seria um Edward Cullen e gastava meus trocados em revistas Capricho. “You belong with me” da Taylor Swift ficava no meu replay pessoal.
Mas com ele eu passava horas com meu V3 colado no ouvido. O primeiro “eu te amo” eu ouvi dele. O primeiro (e único) cara que deixei passar pela porta da minha casa. Meu primeiro beijo. Meu príncipe dos 15 anos. Os romances dos livros eram de verdade afinal?
Entretanto, como tudo era novo pra mim, eu exagerei. Exagerei a ponto de num belo recreio receber uma carta de 3 páginas terminando comigo. 
Se eu chorei? Muito. Jurei pra mim mesma que nunca mais ninguém entraria nessa casa (e voce pode pensar que é a material e a figurada, tá?). Nunca mais consegui olhar na cara do mocinho e tomei uma eca eterna por geminianos.

3 anos depois me vi namorando pela primeira vez. Uma pessoa que tinha zero a ver comigo mas que demonstrou um afeto tão do nada que eu fiquei chocada. Eu não soube lidar. Terminei em 4 dias. Eu não era mais capaz de amar alguém. Ele era escorpiano e passou um bom tempo atrás de mim e eu sem saber corresponder.

3 anos depois me vi apaixonada por alguém de novo. Eu não soube lidar. Fui pior com esse do que com qualquer pessoa que eu possa imaginar agora. Terminei em menos de uma semana sem ter absolutamente nada acontecido. Quando me arrependi e vi o que tinha acontecido, era tarde demais. Tentei por meses consertar, trazer de volta, mas falhei bonito na missão. Libera sagitariano pra você ver o estrago que faz.

Talvez eu tenha desaprendido a amar.

Hoje, eu não faço ideia de como a vida tá me preparando lá pra frente. Talvez, eu precise de verdade aprender a amar. Talvez eu precise ponderar, talvez eu precise ter paciência. E talvez eu esteja contando isso pra justificar o trauma da pisciana com vênus em aquário. Mas aí deixa pra outra historinha.

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