Fracassar é preciso

Na sociedade do espetáculo, nos deparamos com a constante busca pela felicidade, a qual é sugerida incessantemente pela mídia. A imprensa, de fato, tem forte influência na vida dos indivíduos e, através de propagandas, reportagens ou novelas, dita a necessidade do ser humano de ser feliz. Assim, as pessoas perseguem esse ideal, muitas vezes crentes de que esse sentimento é sinônimo de riqueza ou status social.

Todavia, devido à pressão de “precisarem” estar contentes o tempo todo, muitos cidadãos acabam bancando uma vida irreal através de redes sociais. Outros, por sua vez, ao perceberem que não atingiram o ideal midiático de nirvana, sentem-se profundamente inconformados, o que acarreta sérios casos de depressão. A verdade é que a busca pela felicidade é uma busca idealizada, já que a vida não é composta somente por momentos fortunosos. Do contrário, não existiriam casos de suicídio de milionários ou pessoas famosas que, supostamente, – de acordo com o que a imprensa propaga – teriam tudo para serem felizes.

A realidade é que frustrações, tristezas, angústias e insatisfações são totalmente necessárias. Situações infelizes fazem parte do processo de amadurecimento de qualquer ser humano e é preciso saber lidar com fases ruins. Ademais, a vida não é apenas glória, e a felicidade plena não existe: o que existe são momentos de felicidade. E esses ápices alegres proporcionam um elevado bem-estar somente porque há momentos desgostosos que fazem com que demos valor a nossa sorte.

Não há dor ou tristeza que perdure para sempre, bem como a felicidade. Tampouco há um objetivo real na procura pela fortuna absoluta, tendo em vista que esta não existe. Há, por outro lado, a utopia de alcançar essa meta, o que faz com que muitas pessoas levem uma vida inteira em prol do inatingível. É preciso que o ser humano entenda que toda tristeza, por mais torturante que seja, serve para seu aprimoramento como pessoa. A felicidade, na verdade, é como o amor descrito por Vinicius de Moraes: não é imortal, posto que é chama, mas que seja infinita enquanto dure.

One clap, two clap, three clap, forty?

By clapping more or less, you can signal to us which stories really stand out.