O cobertor curto: por que eu não uso a tal “linguagem neutra” da internet
Digo e repito que sou contra o uso de símbolos como X e @ nas palavras com a suposta intenção de “neutralizar” suas desinências de gênero e, assim, ter uma comunicação mais “inclusiva” e menos machista. É aquela velha história do cobertor curto que, quando puxa de um lado, descobre o outro. Há várias pessoas com deficiência visual que dependem de softwares de computador para compreender o que está escrito na tela e um X no lugar de “a” ou “o” atrapalha o desempenho de tais programas, criando um obstáculo àquela pessoa com deficiência. Isso sem falar das pessoas com dislexia, que também são prejudicadas. Você realmente acha que isso é uma comunicação “inclusiva”? Uma solução para esse dilema é usar termos que por si só tragam noção de neutralidade: dizer “estudante” em vez de “aluno”, por exemplo. Nossa língua é vasta e riquíssima, nós temos sim a possibilidade de usarmos termos adequados, neutros e já existentes na norma padrão sem com isso atrapalhar o caminho daquelas pessoas que têm urgência de acessibilidade muito maior do que as de certas garotadas militantes.