Para Marraquexe

Finita a caminhada na areia tomo sob o lenço na cara o chá de menta e sálvia para apaziguar a poeira de passos fofos. Tem beduínos falando em marroquino e farofa de duna mascada com damascos trazidos por mascates. O gergelim triturado com dáctilas e figos formam bolachas soladas grudentas dentro do alforje sacolejado pelo camelo. Miragem em que dedos dourados acenam pendurados em cachos sob palmas de tamareiras.

Falta sal. Mar, o canal da fuga perene desta vida besta é se atirar em boia leve para deixar a terra da farofa de pólvora. Comer um quilo de sal e nadar, durante um ano, para conhecer o outro bem. Beber chá de sal, depois montar e morrer no lombo frio do touro Europa.

Para tocar o tempo adiante, a porta do armário de condimentos é movida como uma página de um livro. Marraquexe está longe, no início do texto, nas cotações de viagens. É mais urgente regar as hortelãs brotadas da lama, o pé de rosmarino, vigiar o pote do aquário salobre em que nadam limões sicilianos encarcerados e retirar do fogo o bule com água fervente.

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