Cigana na estrada
Sem endereço, sem rumo, sem um grupo, a cigana arruma suas malas novamente e segue seu caminho em uma nova estrada, uma nova aventura. É cansativo às vezes, saber que em alguma hora vou ter que arrumar as malas de novo. É assim mesmo, meu lugar é o mundo e ele gira o tempo todo me levando a aventuras inimagináveis. Às vezes realmente cansa, é solitário na maior parte do tempo e a confusão e o caos impera na minha vida, o tempo todo. Mas é gostoso, é familiar, sou eu. Para aqueles que deixo para trás; tenho alguns recados. Alguns ficam bravos, para esses, minhas sinceras desculpas, é um saco deixar uma fila de pessoas desapontadas. Apesar de estar acostumada a esse ponto da minha vida, sempre dói para mim também. Mas sabe, é como vocês disseram, eu fiz minha escolha. E sei que isso deixa vocês bravos, magoados e realmente desapontados. Nem todos entendem meu jeito cigano de ser, sempre é visto mais como fuga do que como liberdade, ou então veem apenas como escolhas erradas. Eu não gosto desse termo, afinal nenhuma escolha é errada, são escolhas e elas veem com consequências. Sempre encarei as minhas, boas ou ruins. Mas não é esse meu recado. Meu recado é; Apesar da raiva que vocês reservaram para mim, um dia isso foi amor. E é ele que levo comigo. Levarei vocês sempre comigo e o amor que um dia tive, vou levar os momentos bons, os conselhos, as broncas e o acolhimento. Não pensem que não sou grata, eu sou. O bom de ser uma cigana é que valorizo os momentos e valorizo o acolhimento. Eu não pertenço a um só lugar, eu sempre soube disso. Sinto muito por não ter dito isso antes. Mas um dia nos encontraremos de novo. Espero que a raiva até lá, tenha diminuído. Porque de mim, sempre só terá amor. Para aqueles que me desejam boa viagem e me apoiam; meu muito obrigada! A viagem é intensa, o caminho é desconhecido e o apoio de vocês são a luz. Tem pessoas que estão indo comigo na viagem, não estou sozinha. Afinal, nunca vou estar. O mundo é tão grande e existe tantas pessoas no caminho. Esse é o bom de ser uma viajante, você sempre encontra alguém disposto a caminhar junto. Claro que nem sempre são pessoas que querem seu bem ou que você possa confiar, mas acredite, a gente cria um faro especial para essas pessoas. Uma vez eu vi um filme que é muito bom para mostrar exatamente do que estou tentando falar. Um filme que acho eu, foi feito inspirado em mim. Ele se chama “Livre”, é a história de uma mulher que vai em busca do selfie dela e da paz interior em uma caminhada de meses em uma trilha entre estados. Caminhar livremente sem rumo sempre foi minha missão de vida, eu sou boa nisso. E nesse filme mostra exatamente como é isso, como é ser uma pessoa “Livre”, não que seja bom, oh não, na maioria das vezes como mostra lá, é péssimo. Você sofre, você mágoa muita gente e é agoniante. Se eu pudesse, eu juro que eu seria diferente. Gostaria de ser o tipo de pessoa que fica, que permanece, que muda e constrói laços permanentes e duradouros. Não sou. Eu sou de fases, eu sou de lugares, eu fico por um tempo mas depois vou embora.
Queria ser diferente, eu magoaria muito menos e sofreria menos também. Mas tem coisas que apesar de querer muito não dá para serem mudadas. Eu não consegui ainda pelo menos. O bom é saber que tem algumas raridades que sempre me esperam voltar. Sempre tem aquelas pessoas especiais que sabem que vou e volto, que me afasto e me aproximo, essas pessoas sempre me esperam com um sorriso no rosto e um bem-vinda de volta, um abraço e um sorriso que nunca muda e sempre conforta. É bom porque sempre dá um motivo a qual voltar. E por fim, tem aquelas pessoas que irão viajar comigo dessa vez, espero que eles fiquem comigo por um bom tempo, maior do que quis qualquer outra pessoa no passado, isso é, se eles me aguentarem, não sou uma companhia fácil em uma viagem longa. Viu? Não estou indo sozinha, não estou indo iludida, muito menos machucada. Às vezes quando estou prestes a mudar de novo, eu me desespero, fico com medo, bem covarde mesmo, vejo alternativas para não ter que mudar, dou a louca mesmo. Bem infantil!
Mas o universo não me deixa ficar, eles me empurram do precipício porque sabem que é caindo que eu me dou bem. No caos me faço forte e na estrada eu encontro meu caminho. Depois da tormenta, me fortaleço nas possibilidades que a vida me dá porque sabe que sou livre pra escolher. E isso é tão belo e tão mágico. Está na hora da cigana se reinventar, uma nova história, novas dificuldades, novas aventuras. Afinal, eu posso ser louca, posso nunca parar em um mesmo lugar, posso cair tantas vezes que parece impossível para os outros, eu me levantar. A verdade é que eu levanto, eu mudo, eu vou atrás e meu caminho? Bom, a estrada vai dizer qual é, vamos em frente que atrás vem gente.
