As Serpentes de Deirdre

Não olhe para o outro lado agora

Você veio daquele lugar tão limitado

E confortável às suas tristezas

E de repente você não tinha

Absolutamente mais nada disso

Você foi jogada para fora

E precisou aprender a olhar para si mesma

Você nunca tinha feito isso até então

Era mimada por aqueles que te amavam

por tanto tempo.

Você não conseguia olhar para ela ou para você

até aquele momento.

E você se machucou profundamente

Passou por inúmeras noites em que

odiava o que você conhecia daquela pessoa

Sentia-se uma estrangeira dentro de si mesma.

Quando você deixou se tornar esta pessoa que por tanto tempo você não acreditava que existia?

E de repente não parecia mais errado

ter se magoado tão profundamente consigo mesma

Se envolvido com aqueles que só te machucariam

E aqueles que exigiriam tudo de você, e não te dariam nada em troca.

Apenas uma frustração cegada por um otimismo de outrora.

O que você faz quando você se esquece no caminho?

Você toma empatia por isso, ou você decide a crueldade?

Porque no final das contas

Dar prioridade a si mesma é sempre vista como um ato de insensibilidade.

E aqueles amigos que são dependentes emocionais de todo mundo

Se sentem machucados pelas suas palavras

Quando na verdade tudo o que você fez

Foi falar uma verdade inconveniente.

E você devaneia sobre aqueles amores gananciosos

Que te consumiram em demasia

Ou sobre o mundo que te vê como um pedaço de lixo

Que lhe é permitido pisar a todo instante

Ou mesmo sobre os amigos que sequer percebem

As toxicidades que cometem com o resto do mundo

Porque estão ocupados demais em achar que as suas dores

São mais importantes que alguns anos de amizade.

E você observa aquilo com o seu olhar distanciado

Daqueles que repetem os seus ciclos ocasionais

Embora você nunca tenha se dado ao luxo

De salvar todo mundo.

Por que eu seria responsável por estas decepções convenientes?

Talvez eles só não tenham alcançado ainda

O cinismo necessário para permear neste mundo.

Eu nunca vou saber.

E nunca me dei o direito de julgar

Mas você ainda está aqui

E mesmo que o mundo tenha te pisoteado

Você ainda está aqui.

Eu não sei por quanto tempo eu possa dar conta

Deste peso que me foi imposto

Destes fardos que me foram jogados à força

O lado esquerdo da minha cabeça me fala

Que eu já deveria ter ido embora

E o lado direito me sussurra

Que já passei mais tempo aqui do que deveria.

Mas você sempre encontra um jeito de passar por isso

Mesmo que isso te custe algumas coisas

Mesmo que você ainda permita relações que te drenam

Mesmo que você erre tantas vezes

que no final do dia não sobre ninguém ao seu lado

Mesmo que você tenha certeza que não ficará por aqui por muito tempo.

Você ainda continua por aqui,

Você ainda suporta este peso,

Porque no final do dia a única pessoa que vai te amar completamente, e vai te entender completamente

Será você.

Então se machuque, se puna, decepcione todo mundo,

Quebre alguns ossos, perca estes platonismos,

Jogue a sua raiva, violenta-te com a sua fúria,

No final dessa rota tão dolorosa e solitária

O que resta é o amor que você precisa construir

Para se manter em pé neste mundo

Neste mundo que não te ama, neste mundo que te detesta,

Neste mundo que não te dará nenhuma chance,

Neste mundo que te joga pedras e ainda exige que você sorria,

E aquela pessoa que te amará completamente será apenas você mesma.

Nunca se esqueça disso

Ninguém te amará melhor do que eu.

E eu te amo tanto que tentaria te preservar de todas estas dores

Mas vocês precisa destas dores

Então não me decepcione agora

Você sempre foi muito mais do que aquilo que te falaram.

— — —

Verano

08/04/16

05:57 AM

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