O mundo nunca vai conhecer o que há de mais interessante em mim

Passo a maior parte do dia sendo uma pessoa comum. Não me destaco em nada, nenhum assunto faz de mim uma especialista, não tenho as melhores referências para piadas. Dar continuidade em conversas, então... Minha aparência é tão trivial quanto: não sou it girl e meu estilo tá longe de ser referência para outras garotas. Poderia listar mais mil coisas que fazem de mim mais uma na multidão.

Mas isso é só na maior parte do dia… Vocês que acham que não entendo de música, cinema, cultura pop, moda, política, economia, psicologia, literatura, filosofia, lutas sociais, programas de auditórios e tortas de maça, com certeza nunca me viram no banho. Ah, se esses 10 minutos diários falassem …(às vezes 15, outras tantas 20 ou 30 — desculpa mundo, talvez sustentabilidade não esteja presente de fato na minha lista de qualidades-).

No chuveiro eu mostro a melhor parte de mim. Lá desenvolvo meus melhores pensamentos. Parece que o efeito colateral da água quente tocando minhas costas é acionar a massa cinzenta que habita minha cabeça num ritmo frenético, desesperado para formular teorias, opiniões, concluir pensamentos, criar referências e elevar meu senso crítico à um nível que... UAU!

Ah, o mundo adoraria ter a oportunidade de me acompanhar no banho. É injusto que eu só tome um por dia, e que não seja socialmente permitido cadeiras de bar e cerveja dentro do box. Tenho certeza que já desenvolvi soluções incríveis para os problemas universais, pena que as ideias tenham descido pelo ralo junto com as impurezas acumuladas durante as horas de normalidade.

Se as reflexões fossem visíveis, palpáveis, ouvíveis, os canos do meu banheiro seriam tão explorados quanto as minas de Ouro Preto, seriam campo de pesquisa e banco de decifração.

O meu Fantástico Mundo é pura imensidão, lamento que só caiba da porta de vidro pra lá e funcione apenas com pingos de água quente em queda livre pro chão.