Entre o cotidiano e o mistério

Sempre fui uma apaixonada pelo lado encantado da vida: lendas, mitos, contos de fadas, histórias de bruxas, meditação, energias sutis, deuses, espíritos, elementais, oráculos e coisas do gênero. Para quem me conhece como professora, profissional de clínica, pode parecer estranho que no meio de tanta leitura de artigo científico e de tanta bioquímica e farmacologia sobre espaço para isso.
 Mas essa é a grande graça do ser humano. Poder ser complexo, sem ser incoerente. Na verdade todo meu trabalho reflete isso. A busca pelo trabalho energético da medicina chinesa, o uso alquímico da fitoterapia, a busca do desenvolvimento humano, da qualidade de vida mais do que só a saúde física e mental.
 E eu não estou só! Observem o quanto os filmes de bruxos, vampiros e super-heróis são campeões de bilheteria. Há quem ache que é por que eles são tão fora da realidade que nos ajudam simplesmente a distrair, a relaxar das tensões do dia-a-dia. Eu já acho diferente. Acho que as pessoas gostam tanto destes filmes e livros por que sabem, lembram, de que estas coisas fazem ou já fizeram parte da nossa vida cotidiana enquanto espécie e quase todos, ansiamos pelo momento de reconectar com esta dimensão da vida, onde tudo é possibilidade infinita, onde tudo é abundância. E também onde o bem e o mal estão bem estabelecidos e fica mais fácil escolher de que lado se está…rs…
 Também vejam na internet a quantidade de sites de ditos espiritualistas, vejam as igrejas e templos de todos os tipos lotadas de gente buscando de tudo. De um legitimo religare com o divino a um emprego novo ou a pessoa amada na palma da mão em 24h. O fato é que o cotidiano, da forma como estamos experimentando na modernidade não é suficiente para quase ninguém. Fica a eterna sensação de que falta alguma coisa. E aí inicia a busca. Que é pessoal e intransferível. Como me disse um grande amigo há uns dias atrás, o ideal é que o mundo tenha 7 bilhões de religiões. Uma para cada indivíduo. Pois assim como somos únicos nas nossas digitais, íris e expressões no mundo, também é única é nossa forma de religar com o divino ou com o mistério, se assim preferirmos.
Quando começamos a nos conectar com este lado mais sutil, seja via contato com a natureza, com a meditação ou a oração, com os conhecimentos tradicionais, com as tecnologias de ponta que exploram cada vez mais este universo, a sensação que dá é que antes estivemos de olhos fechados para a vida real, que a realidade está ali e que o resto só existe por causa do que acontece nestes níveis mais sutis.

Esta abertura de olhos pra mim é o caminho do auto-conhecimento, a exploração do universo e a percepção do quanto tudo isto e todos nós estamos conectados. Falando isso me vem a música: “é impossível ser feliz sozinho…” Muita gente vê isso como sinal de carência, de baixa auto estima. Eu pensava assim, mas confesso que tenho começado a cogitar esta frase num outro nível, mais sutil. Mas isso já é uma outra conversa…

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