Amarelo.
Vira e mexe me pego prestando atenção em gente com os olhos vidrados na tatuagem que tenho de dedos cruzados no braço. Eu acho engraçado pensar o que elas me diriam caso tivessem alguma proximidade. Pra falar a verdade, há inclusive aquelas que não se sentem acanhadas de forma alguma e atrevem-se a perguntar sobre o que quero dizer com o desenho ou apenas elogiam.
Eu me considero uma pessoa extremamente positiva. Obviamente que nem sempre foi assim, mas ando numa fase de intenso olhar para as minhas necessidades, minhas singularidades, minhas fraquezas. Tudo isso sou eu, entende? Tenho olhado para essas entranhas com admiração, com respeito e sinceridade. Todo esse caminho tem o maravilhoso poder de me transformar em uma mulher altruísta, sorridente, sagaz. O bom humor sempre caminhou ao meu lado, mas agora a calma parece estar finalmente me encontrando também. Por muitas vezes sonhei com o dia em que seria mais paciente, menos ansiosa, que olharia a todos com mais delicadeza e calma. Sonhava com a ideia de não ter pressa, de respeitar o tempo alheio e o meu também. De não forçar caminhos e passagens. De não mais arrombar portas e derrubar muros que não me foram permitidos adentrar.
O que quero dizer é que a maturidade vem me fazendo bem e sorrio sozinha constantemente orgulhosa do meu crescimento. Os dedos cruzados significam o início de uma jornada e tanto de autoconhecimento. Foi o empurrão que eu mesma me permiti dar. Eu me conheço! Encaro o espelho consciente de cada milímetro do meu corpo e enfrento meus pensamentos mais sórdidos com uma ternura que jamais achei que pudesse dispor a mim mesma. Tenho consciência da minha energia, dos pensamentos que emano ao mundo e filtro o poder das forças externas que perpassam minhas arestas. Fiz as pazes com a luz do dia e não mais me permito temer a noite. A natureza é minha amiga, meu corpo precisa dela e minha alma tem a cor da luz do sol.

