Passageiro

Engraçado como são as coisas. Eu sempre me perco em intrincados labirintos de palavras, delírios teóricos, divagações filosóficas. Mas há momentos em que todas elas vão embora. Nada do que eu diga é capaz de mostrar o que eu está acontecendo. Tudo pulsa, tudo vibra, apenas sinto.

E de repente me sinto passageiro. A razão, antes senhora de todas as decisões, vai aos poucos perdendo seu reinado. Canto, grito, pio e silvo mas não adianta, a paixão assume triunfante o poder.

Me descubro um menino. Os mesmos olhos brilhando que outrora descobriram o mundo, agora descobrem novas cores emocionais. E eu tenho medo.

Permitir que o medo paralise é uma escolha, mas ao enfrentá-lo virá a conexão, o encontro. Virá?