Solipsismo:

Se toda a verdade está na mente, qual diferença faz? Há mesmo verdade? Seria tudo uma ilusão? Todas as perguntas podem ser feitas, uma me causa desconforto por sentir aquele resquício de humanidade ao ver Winston Smith torturado. Sinto não aquela compaixão comum, que qualquer ser humano sentiria, algo inerente a alma, tão disseminado que se torna banal, mas aquela sensação de algo do personagem sendo retirado, como se o drama fosse de todos nós ante a mesma situação.

Como se tornar o último homem? Seria bom estar em farrapos, no meio de um lugar que não conhece, e ao mesmo tempo o mundo real lhe chama. Você sente tudo ao redor de si o atrair para a fantasia , a frieza do coletivo destrói a última partícula de realidade, restando sucumbir ou morrer.

Há neste personagem um enigma, uma espécie de sentimento que some enquanto ele sofre, uma sensação de ser você o último homem na terra, como se perdesse um filho. Ficam as dúvidas: o mundo é assim?

Como seria ser o último? Como você escaparia? A menção ao pior pesadelo faz tantos não gostarem deste livro. O horror de ver tudo desmoronar, a espada nos tirar aquilo que nos remete aos fatos, tudo isto fica como a sensação, uma ínfima parte de nós ainda luta para se fazer afirmar enquanto todos estão contra ela.

O que fazer se tudo está na mente? Se não há saída, como ser humano? A luta até o final é digna? Sou eu mesmo? Tenho alma? Há algo externo a mim? Ficam tantas perguntas, e a agonia é tão imensa, prefiro morrer sem resposta. Resta afirmar a vida? Quem sabe a vida não afirma a verdade, mas a verdade afirma a vida…