Nó(s)

Foi ali, no primeiro momento, na primeira dúzia de palavras trocadas lá pelas tantas da manhã, que pude perceber o quanto de você já tinha em mim, mesmo sem querer. Meus olhos nem estavam abertos direito, a minha retina ainda se adaptando à luz do sol que invadia o quarto todo. Foi dali em diante, ficou notório que eu já estava preso no teu laço há muito tempo atrás. Foi assim, menina, foi de impulso, como que se os sentimentos não possuíssem travões, que eu lhe disse que tinha muito de você aqui. Foi a primeira vez que as minhas palavras te soaram como um “eu te amo”, sentença essa que nem todo o amor merece ter. Foi ali que me envolvi, foi bem ali que o laço virou nó(s). E foi assim, percebendo cada detalhe teu que me vi cada vez mais apaixonado, mais encantado, que me vi cada vez mais teu. Foi muito antes dali que me apaixonei por você, menina. Por fim e por não saber como, você sequer respondeu aos meus versos, mas com toda a certeza do mundo sorriu, e o teu sorriso meu amor, o teu sorriso me prova que o amor não necessita da moldura das palavras para ser entendido. Foi ali, menina, cinco madrugadas depois da nossa primeira troca de palavras, que eu descobri o amor simples. O amor livre de ponderações, de normatizações, de demoras, e dúvidas. O amor rebelde que não mediu nenhuma das conseqüências. O amor óbvio, urgente e certo. O amor independente, livre de toda e qualquer aprovação alheia. O amor que não se esconde na vaidade, que não tem medo de ser o que é. O amor sem script, escrito a lápis e no improviso pelo coração. O amor puro, como o amor deve de ser. De todos esses, se faz aquele: O nosso amor. Foi assim, cinco ou seis madrugadas depois do nosso primeiro diálogo que eu pude perceber, menina, que só vale a pena amar assim. Amar por inteiro, sem regras, sem expectativas. Amar, só amar. E foi ali, cinco ou seis manhãs depois da nossa primeira conversa que vi você me trazer de novo a cor ao meu mundo. E é aqui, menina, todos os dias depois da nossa primeira conversa, que encontro em ti o mesmo amor simples e tranqüilo. Que preenche a vida vazia, que traz cor pros dias cinzentos, que traz a calmaria pros dias de tormenta. É você quem traz a paz pro coração.

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