Plunging into their world

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O mundo deles.

Independente das suas experiências anteriores, a compreensão de culturas começa pela humildade: você sabe nada. Na metodologia etnográfica, ter vivenciado o campo de estudo anteriormente tende a ser um problema, porque a pessoa que investiga já está aculturada. Neste caso, ser um@ outsider ajuda a analisar o comportamento do grupo. Pelo mesmo motivo, @ antropólog@ precisa passar por um afastamento do campo, depois do longo período de imersão.

Seguindo esta orientação metodológica, a compreensão de culturas organizacionais não é diferente. No caso da Round Pegs, onde hoje sou uma Especialista Cultural, o meu desconhecimento da indústria da tecnologia e do mercado de trabalho que a suporta era um ponto a favor. Eu poderia me deliciar na imersão do campo.

Por outro lado, eu lidava remotamente com um time também remoto. Como fazer imersão de campo ou observação participante? No início, o jeito foi mergulhar nas pesquisas já realizadas pela Round Pegs, além de conversas recorrentes com Pedro e Tatá e muitas leituras dos canais do Slack.

O Slack é uma ferramenta particularmente especial. Sendo ele o escritório virtual da Round Pegs, ele é o único espaço que abrange toda a comunidade e, portanto, o principal lugar no qual a cultura se desdobra. A observação participante acabou sendo ali.

Se existem ressalvas quanto ao método etnográfico aplicado a culturas organizacionais, mais ainda nos casos de organizações remotas. Existem diversas fontes que refletem e explicam métodos de pesquisas complementares. Dentre elas, o livro da Neusa, chamado Antropologia para Administradores, é, para mim, um clássico fundamental.
#ficaadica

A imersão inicial se deu em quatro frentes: observação digital (ou netnografia?), estudo de materiais primários, estudo de materiais secundários e entrevistas narrativas. Ressalto o inicial, pois sendo a responsável pela cultura da Round Pegs hoje, faço o exercício diário em me manter numa condição de observação e constante imersão e aprendizado.

Observação no Slack

Depois de duas longas conversas, uma com o Pedro, CEO, e outra com a Tatá, COO, recebi um email da empresa e passe livre para o Slack. Para mim, que estava finalizando um trabalho de dois anos de consultoria em uma organização super tradicional e também terminando o segundo mestrado em uma organização mais tradicional ainda, era tudo, no mínimo, diferente.

A observação nos canais do Slack tornaram-se cada vez mais participantes. Outro ponto de contato fundamental para entender a cultura são as vídeos calls, feitas tanto por Appear como por Hangouts.

Destes pontos de contato, foi possível identificar um jeito, ou atitude, comum: somos informais, amigáveis e muito dispostos a ajudar. Além disso, ainda é possível perceber alguns obstáculos na questão da comunicação, tão citada como um desafio no trabalho remoto, e que nós também a vivenciamos.

Utilizamos alguns recursos simples para ajudar nisso, como o Recordify, que compartilha áudios no Slack, e emojis, para notificar a pessoa de que sua mensagem foi lida, por exemplo.

Estudo de materiais primários

  1. Pesquisa Desk | Benchmarkings
  2. Pesquisa Quali | O trabalhador remoto no mundo
  3. Pesquisa Desk & Quali | O trabalhador remoto no Brasil
Sim, um monte de informação.

Apesar de não entrar nos detalhes aqui, é legal delinear o porquê da composição delas. A Pesquisa Desk (1) serviu para traçar empresas que admiramos e conseguiram ultrapassar os desafios de trabalhar remoto. Além de tirar práticas, também pudemos identificar valores culturais que colaboram para a integração remota, dentro de uma perspectiva startup.

A Pesquisa Quali (2) foi um conjunto de entrevistas em profundidade feitas remotamente, com pessoas que já trabalharam ou ainda trabalham neste formato. Ela nos ajudou a traçar o perfil das pessoas que se encaixam neste tipo de relação, além de nos ajudar a traçar diferenças e similaridades entre Brasil e mundo. Quem nos ajudou aqui foram as pesquisadoras Mari Baldi e Mariana De Luca.

A Pesquisa Desk & Quali (3) foi a cereja do bolo. Nela, tivemos uma concepção do contexto brasileiro, também com entrevistas em profundidade, como as feitas anteriormente. O legal aqui foi que pudemos apontar alguns valores culturais e vislumbrar estratégias que poderiam nos guiar na jornada. Quem nos ajudou aqui foi o Gabriel Rosemberg.

Estudo de materiais secundários

  1. Testemunhos práticos
  2. Pesquisas acadêmicas
  3. Websites de empresas que nos inspiram

Buscamos inspiração nos benchmarkings que mais nos chamaram atenção, fosse por uma imersão em seus websites, fosse no estudo de materiais publicados em blogs ou livros.

Nos Websites (3), buscamos indicativos culturais que fizessem sentido em duas frentes: o mundo startup e o mundo do trabalho remoto. Nos Testemunhos práticos (1), nos deparamos com muito material interessante, dentre eles o elaborado pela Basecamp.

Além da pesquisa com o mercado e com a indústria, também buscamos materiais de pesquisa acadêmica e profissional. Encontramos uma quantidade razoável de trabalhos estrangeiros sobre o tema "remote work", e poucos brasileiros, dentre os quais o termo usado era"teletrabalho". Destes, dois merecem uma atenção especial: Teletrabalho: subjugação e construção de subjetividades e O trabalho a distância: prática e desafios em empresas multinacionais. Sendo artigos mais curtos, eles resumem os principais elementos que chamam a atenção de quem vivencia este tipo de relação de trabalho e de vida.

Ponto de virada: discussões & facilitadores

  1. Discussões estratégicas
  2. Tools de facilitação

Ao longo de todo processo de estudo, mantivemos discussões em nível estratégico, nas quais eu era orientada e conhecia os objetivos da Round Pegs. Essas discussões também ajudaram a discernir entre os elementos que fariam sentido para nós e aqueles que eram muito distantes ou que gostaríamos de superar.

Quando eu já estava mais inteirada do ambiente cultural externo e interno, montamos uma Matriz Analítica, onde incluímos todas as informações relevantes. Com esta matriz, que consideramos uma ferramenta de facilitação, delineamos alguns orientadores macros. Para eles, utilizamos a noção de Golden Circle, de Valores Culturais, Competências Organizacionais e Competências Individuais. Com a última, ainda delineamos uma persona Round Pegs.

O Golden Circle nos ajudou muito, pois ele enfatiza o propósito que move o time. É exatamente isso que acreditamos.
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Logo farei uma história dedicada a explicar os valores, competências e persona Round Pegs. Agora, eu só queria finalizar com o nosso círculo de outro. Ele ficou resumido em um manifesto:

We believe companies should be platforms of small multidisciplinary teams empowered and mentored to produce incredible results in a startup culture.
We call empowerment the combination of clear boundaries of autonomy, mentoring and advisory, work environment with tools that are beautifully designed, and an amazing community of talented team mates.
We are a remote work company as a commitment that empowered people should give companies their results instead of their time, there are no geographical limits to be part of this community and they do because it means something to them to do things that change the world and touch people’s lives.

Nele é possível perceber os elementos why, how e what. O nosso propósito é impactar a vida das pessoas. Expressamos isso quando dizemos que "we want to change the world and touch people’s lives, using technology to solve real problems". A gente faz isso criando negócios digitais para empreendimentos, ou Enterprises, conectando seus poderosos recursos com o nosso approach de Startup. No fim, o que fazemos é construir startups dentro de grandes empresas, ou como preferimos:

We are the first Entrepreneurship as a Service Platform.
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