CUIDADO: VOCÊ PODE ESTAR SENDO GRAMPEADO!

O QUE O JUÍZ MORO TERIA ESCUTADO SE TIVESSE GRAMPEADO O TELEFONE DA MINHA ANTIGA EMPRESA

Quer você queira ou não, concorde ou não, aceite ou não, temos que admitir que o Brasil, na tentativa de destituir um poder, empoderou uma figura que tem sido emblemática nessa luta infindável que estamos vivendo.

De sobrenome austero e cara de “poucos amigos” (procure alguma foto dele sorrindo e entenderás o que digo), o fato é que o juíz Sérgio Moro se transformou no novo herói do Brasil, ainda que tenha cometido, aos olhos de alguns, falhas inadimissíveis que tenha o colocado acima da lei.

Porém, não me cabe aqui discorrer sobre sua atitude, deixo isso pros mais entendidos da lei, ou para aqueles que se apropriaram disso para fortalecer suas crenças e convicções à respeito do atual cenário político.

Mas, como convém a todo herói habitar o inconsciente coletivo das pessoas, um certo dia, Moro fez mais que isso habitando, também, o meu subconsciente.

Era pra ser uma mahã qualquer, e como vivo num fuso horário de 14 horas de diferença com o Brasil, o meu decanso é (ou deveria ser) quando as coisas estão acontecendo no país.

E na noite que Moro jogou a m… no ventilador, já era manhã aqui pra mim. E como meus horários de dormir são meio atípicos, eu estava ainda sonada na cama, quando resolvi dar uma conferida no celular, com a desculpa de ver as horas.

Mas, diante de posts e comentários de surpresa e indignação que não paravam de pipocar no meu feed, fui procurar saber do que se tratava o assunto, e qual havia sido a parte que perdi dessa novela da vida real.

Mas, a cama me “chamava” pra ficar mais (culpa da nomeação do Lula que me fez ter uma madrugada anterior insone e quase insana), e resolvi, então, deixar Moro de lado e abraçar, de novo, meu travesseiro.

E, ainda meio torpe depois de ler as últimas notícias, sonhei com o juíz. E no sonho ele acabou sendo o meu herói, e nesse dia acordei: “sou mais Moro”.

Não foi um sonho qualquer: não havia Dilmas, Lulas, Petrobrás, e nem tampouco uma mega operação de nome sugestivo.

Mas havia uma luta, uma batalha judicial que me acompanha, e me faz permanecer, meio que em transe, num pesadelo que tento acordar. Algo que desejo, e sonho (olha o pleonasmo!), que acabe logo e me traga, de novo, a plenitude de viver em paz.

Batalhas judiciais são sempre desgastantes, pois é como se fosse cada um tentando puxar a corda pro seu lado, e chega uma hora que ela não vai nem pra um lado e nem pro outro, pois a somatória das forças anula o efeito do movimento. E daí, é quando os processos se arrastam ou paralizam, ficando no aguardo de um novo fato, de uma nova verdade, para serem finalmente julgados.

E foi assim que Moro entrou no meu sonho, me “trazendo” o alívio de um argumento maior que faltava.

Um processo é feito de fatos, de causa e efeitos, de provas, de depoimentos e, principalmente, da habilidade dos homens que entendem das leis para juntar tudo isso a fim de convencer um ser maior (o juíz) de que seus argumentos são melhores do que o do outro. Mas, na minha opinião, sempre haverá uma vitória sem vencedores, e todos acabam sendo perdedores, nem que seja da própria honra ou dignidade.

E como boa contadora de causos que venho me tornando, essa é uma história que merece ser contada:

Toda dor pode ser suportada se sobre ela puder ser contada uma história. Hanna Arendt

Colei recentemente essa frase no meu mural para me lembrar disso. Pois, venho passado por tantas dores (e essa história faz parte apenas de uma delas) que preciso de algo em que eu possa exorcizar esses fantasmas que insistem em me assombrar. Alguns procurariam um psicólogo, um sacerdote, uma mãe de santo, eu resolvi escrever…

Pois, boa parte dessas dores (e das histórias que hoje conto) vem de um mesmo fato. Fato esse que é, ainda e infelizmente, objeto de uma batalha, que ao que me parece, está chegando ao fim e que, pelo menos, no meu sonho teve um desfecho surpreendente.

No final de 2013, passavámos por um momento de tensão em nossa empresa. E vínhamos chegando à conclusão de que nosso negócio vinha se tornando insustentável.

Nessa época ainda não se falava em crise, e a Presidenta se quer tinha sido reeleita. Mas uma nuvem negra já começava a se formar no horizonte e vinha se aproximando, pelo menos pra nós.

Nosso negócio já vinha se abatendo à cerca de alguns meses, demonstrando ser mais frágil do que pudéssemos imaginar. E, embora outras crises tenham se instalado em outras épocas, dessa vez vivíamos um outro tipo de crise, que poderia ter sido evitada se houvesse tido mais diálogo e vontade de mudar um cenário, que não nos era nada favorável.

Era uma relação empresa x empresa, regida por um contrato que pregava direitos e deveres entre ambas as partes. Mas era, também, uma relação humanizada, entre homens do bem. Mas, um dia ambos deixaram de fazer a “lição de casa”. Digo ambos porque toda ação leva à uma reação.

E foi assim que as coisas caminharam pro desfecho que lhes conto agora:

Campeão, mais vale um bom acordo do que uma boa briga.

Essa teria sido uma das frases que Moro ouviu (no meu sonho) ao grampear o telefone da nossa empresa. Dentre tantas outras que soavam como uma maneira de nos coagir a tomar uma atitude que não concordávamos.

Mas, para fazê lo melhor entender do contexto, vou tentar explicar o que seria o acordo e o que seria a briga.

E já lhe adianto que ouvir isso, foi na verdade pra nós um chamado, e optamos pela segunda opção.

Não que sejamos de briga, pois sabíamos que éramos a parte fraca da estória e teríamos muito mais a perder. Pois, afinal era o destino da nossa empresa que estava em jogo.

Mas, ao mesmo tempo, não dava mais pra permanecer calados e aceitar uma condição imposta, e que vinha prejudicando diretamente o mercado em que atuavamos.

E a situação havia ficado, ainda mais, tensa depois de uma reunião que antecedeu a esse telefonemas, onde fomos “convidados” a expor de forma transparente a situação do nosso mercado. Mas sem deixar, contudo, de analisar as consequências de uma política que precisava ser revista , já que outros, também, comungavam da mesma opinião.

E seguimos então para nossa viagem (era em uma cidade diferente) cheios de números, planilhas, argumentos e esperanças.

Esperanças de que fôssemos compreendidos por tudo que apresentaríamos ali, da forma mais transparente possível (esqueci de dizer que no convite havia essa observação), e que poderia nos levar à um desfecho, no mínimo razoável, e que nos mantivesse, pelo menos, vivos.

Alimentamos a esperança, ainda, pelo fato de que tínhamos uma relação madura e duradoura (afinal, 13 anos não são 13 dias), e que já tínhamos, cada qual, provado o seu valor.

Alimentamos a esperança de que pela memória desses fatos, iriam todos (já que eram as mesmas pessoas envolvidas) relembrar que 6 anos antes de chegarmos ao ponto que chegaramos, havíamos sinalizado sobre um cenário mercadológico que acabou, de fato, vindo a se conctretizar. E para isso nem precisamos usar de poderes mediúnicos, bastava uma coisa mágica chamada “análise de mercado”.

Mas, depois de chegada à uma conclusão, isso iria demandar algumas mudanças, e o status quo precisava ser alterado para que se pudesse estabelecer uma nova dinâmica baseada no ganha-ganha. Mesmo que pra isso, uns precisassem perder um pouco para que outros ganhassem. Fazíamos parte desse “outros”.

Ah! Isso vai dar muito trabalho, melhor deixar como está: o mercado vai se ajustar. Foi o que ouvimos na época. Tapinha nas costas, beijinho no ombro!

Alimentamos a esperança de que todos nós, à partir dessa reunião, fizéssemos um “mea culpa”, e chamando pra si a responsabilidade que lhe competisse. Responsabilidades essas que estavam lá, num contrato, no fundo de uma gaveta qualquer, pois, nessa relação valia mais o fio de bigode (como eles mesmos gostavam de dizer), que precedeu ao lacre, à assinatura e ao reconhecimento de firma.

TSC TSC TSC: Tolinhos! Na verdade era algo tipo: tudo que me trouxeres poderá ser usado contra vocês. E foi…

E, na tentativa de sermos compreendidos, acabamos por “produzir provas” contra nós mesmos.

Saímos dessa fatídica reunião, com um aperto de mão, e mais um tapinha nas costas , pedindo que aguardássemos algumas “informações” que nos seriam enviadas por email.

Esse email chegou em meio à uma viagem que fizemos nos dias seguintes e que já estaria programada para ser um momento de lazer e descanso em família. Por isso, decidimos abri lo somente quando retornássemos, para que não estragasse (ainda mais) o nosso passeio, que já estava desandado, tamanha era nossa tensão e ansiedade.

Ao voltarmos à nossa rotina, e à realidade que nos esperava na caixa de entrada, vimos que havia lá um documento anexado. E esse documento chamava se “Termo de encerramento de contrato” (ué, gente, cadê o fio de bigode mesmo???), e continha, além de tantos absurdos, um prazo para que nos manifestássemos sobre ele. Com pena de sermos destituídos do posto que ocupamos por 12 anos, como donos da nossa empresa. E fomos…

Pois, ao lermos o tal documento, que ao final já trazia essa sentença, fomos percebendo que aquilo estaria longe de ser um acordo, e que se tratava mesmo era de uma confissão de culpa, na qual deveríamos assumir (e depois assinar, protocolar, validar e devolver ) toda a responsabilidade pela situação na qual nos encontravámos: éramos os incompetentes e os únicos responsáveis por tudo, até pelo que não tínhamos qualquer ingerência.

Estava tudo escrito ali, naquele documento frio, que em nenhum momento levava em consideração uma estória de 12 anos de uma “parceria” de sucesso, onde, honrosamente, recebemos 8 menções e prêmios naquilo que se chamavam de meritocracia. Era inacreditável ver a que ponto havíamos chegado!

E com um detalhe: tal “acordo” livrava a outra parte de qualquer responsabilidade (mesmo tendo a soberania das regras e do discurso), e nada, ou nunca , poderíamos reclamar sobre isso.

O tal prazo, que começou a contar da data de confirmação de leitura do email, seria de 3 dias, e caso não assinassemos, providências seriam tomadas. Era a nossa morte sendo anunciada.

Foi quando se sucederam alguns telefonemas diários (durante esses 3 dias, pontualmente) através da figura de um interlocutor, um porta voz, um pau mandado, um mensageiro de más notícias, ou qualquer outro nome que convenha à alguém que se preste a fazer o que aquele sujeito fez conosco pelo telefone.

Tortura psicológica é o mínimo que tenho a dizer. Mas há que se falar ainda de ameaça velada (a que briga ele se referia?), coerção, violação de direitos (como assim não posso reclamar por uma regra que me prejudica?), e tantos outros crimes, que só mesmo um juíz austero como Moro, teria interpretado ao ouvir aquelas ligações.

Mas, isso foi apenas um sonho, em meio a tantos pesadelos que estamos tendo (e o maior de um deles tem nome e endereço: Brasil, eu te amo, apesar de não estar fazendo por merecer), onde um julgamento maior ainda está por vir, e esse não será dado por nenhum juíz de direito, que por mais justo que venha ser (com base no que já está nos autos), não irá ser maior do que a justiça Daquele que tudo vê, escuta e sabe de todas as coisas.

E enquanto isso Lula entra , Lula sai, Dilma permanece, o congresso pára e o Juiz Moro segue sua “missão”, sem ter tempo de fechar os olhos e dormir, com pena de perder algum detalhe que possa ser, de fato, relevante…

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