A triunfal volta de Benedito Rui Barbosa e Luiz Fernando de Carvalho ao horário nobre

Encerrou-se nesta sexta a saga de mais uma novela das 21 horas da Rede Globo, Velho Chico, que marcou o retorno de uma parceria de sucesso: Benedito Rui Barbosa e Luiz Fernando de Carvalho.

A história chegou ao fim com um modesto crescimento em relacao a sua antecessora em termos de números de audiência. Porém, muito mais do que uma leitura simplória de números é preciso enxergar além.

Foi justamente esta a proposta estética do folhetim. Com tom autoral, a direção de Luiz Fernando deu vida própria a cenas, personagens e cenários e entregou ao telespectador sequências que ia muito além do texto.

O diretor, conhecido pelo seu método artístico de trabalho, empenhou-se para tirar todos do lugar-comum. Obrigou o elenco a sair do conforto que a TV permite muitas vezes e os deu a oportunidade de compor personagens inesquecíveis.

E tirou também o telespectador só lugar-comum. Em idos de imediatismo, de ver tv com o smartphone nas mãos, a ousada direção de Velho Chico, obrigou o público a ficar com os dois olhos diante da TV. A semiotica das imagens eram fundamentais para a plenitude da compreensão do contexto que propunha da cada cena.

Do ponto de vista do elenco, houve intenso brilho. Desde os novatos e estreantes até os veteranos que jamais tiveram oportunidades para papéis mais complexos, todos se saíram bem. Contudo, é fundamental destacar a histórica composição de Antonio Fagundes.

O consagrado ator precisou rebolar para achar o tom de seu Coronel Saruê. Após um épico trabalho de Rodrigo Santoro na 1a fase da novela em que criou um tipo delicioso para o personagem Afranio, Fagundes iniciou o personagem em outra fase dando outros ares e causou eztranheza.

Aos poucos, o ator foi ficando confortável em seu universo de Coronel, abandonou Afranio na metáfora proposta pel linguagem da trama e, a partir daí, brilhou intensamente. Na reta final da novela, Fagundes mostrou mais uma vez porque é um dos maiores atores do país.

O roteiro foi o mais complexo de Velho Chico. Após uma primeira fase quase irretocável, a trama mergulhou numa linguagem menos poética e mais política e passou a não dar liga com a proposta estética.

Porém, aos poucos, a poesia ganhou maior espaço que o realismo denso e a novela passou a ter uma só linguagem novamente. Na reta final, roteiro, direção e elenco entraram numa simbiose rara e entregaram uma obra artística de felicidade incomum.

A trágica morte de Domingos Montagner, um dos protagonistas da trama, seria um grande empecilho para a continuidade coerente da história. Não para Velho Chico. Com uma solução artística sensível, a produção de permitiu homenagear o autor e brindar o telespectador com momentos de pura emoção.

Se a arredio criada para emocionar, Velho Chico sai de cena mostrando mais uma vez que novela não é entretenimento. É arte.

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