
DEMOCRACIA X FUTEBOL X POLÍTICA
No ano de 1981, enquanto muitos estudantes, artistas e intelectuais participavam das campanhas pelo fim da ditadura militar no Brasil, a Democracia Corinthiana, movimento organizado e apoiado por alguns jogadores do clube, como Sócrates, Wladimir e Casagrande, teve como objetivo renovar a estrutura autoritária que existia na administração de clubes de futebol. Os protestos nas arquibancadas ultrapassaram as quatro linhas e serviu de força para as lutas políticas contra o Golpe Militar no País. Na mesma época a maioria das torcidas organizadas no Brasil foram fundadas e além do intuito e verdadeiro apoio ao Clube, as torcidas levantavam bandeiras a favor sociedade e obtiveram sucesso junto aos movimentos sociais, sindicais e políticos do país no final da década de 80 com o fim do Golpe.
Na década de 90, as torcidas organizadas do país tiveram um crescimento exacerbado com a aproximação de tais movimentos nas periferias das cidades, cumprindo um papel social que nem o estado nem os clubes conseguiam chegar com facilidade, tapando verdadeiros buracos sociais em capitais do país inteiro com festas, núcleos, sedes, eventos e reuniões. Tais atitudes agregaram jovens, crianças e adolescentes de periferias para os movimentos ( torcidas organizadas ).
Cenas lamentáveis acontecem a décadas, mas com adeptos da internet, câmeras de segurança e tecnologia tudo se tornou viral. Os acontecimentos nunca diminuíram e dificilmente diminuirá. O fato é que um jovem, oriundo de um bairro violento, de uma cidade violenta, canais de televisão violentos, escassez de educação, de trabalho e segurança, terá uma grande probabilidade de se tornar um ser humano violento, principalmente quando ideologias e amores são colocados em prova ou em situações opostas, confirmando a tese de que a arquibancada é o espelho da Rua.
A verdade é que o PIG e os movimentos políticos que influenciaram o Golpe de 2016 souberam trabalhar bem na sua primeira tática de calar o povo, quando o assunto é Política Democrática e Futebol. Há anos que Torcidas no Brasil inteiro são oprimidas e proibidas de entrarem com camisas, bandeiras, papéis picados, faixas, adereços instrumentais, com a defesa de que assim elas iriam parar de realizar atos violentos, e o resultado é inverso, é como jogar gasolina em um fogo fora do controle. Se o intuito dentro do estádio é fazer a festa e são proibidas disto, nas ruas tudo está liberado, a guerra não tem como proibir, se nas comunidades, a guerra contra o sistema é rotina, é dia a dia.
Com o intuito de responder de imediato ao cunho popular, influenciado pelo PIG, atitudes sem planejamento são realizadas a cada evento violento. Torcidas únicas, proibição de entrada de torcida organizada em estádio, proibição de bandeiras e baterias. Parece estupidez, mas responder a sociedade com atitudes paliativas é comum no nosso país.
Para finalizar, vemos que o plano foi tão fervoroso que até os movimentos políticos sociais e sindicais abandonaram contatos e política de debate com movimentos organizados oriundos da arquibancada. O texto tem o intuito de alertar aos movimentos de luta que também lutem por nossas bandeiras. Tiraram a liberdade da arquibancada, calaram voz do torcedor, despiram a sua camisa, e força a cada dia que a nossa existência seja criminalizada pela sociedade, com motivos parecidos como os partidos e entidades sociais, que são massacrados a cada dia pela imprensa brasileira. Abram os olhos, observem como o futebol era a 20 anos atrás e como o futebol é hoje. A elitização está em curso tanto quanto o Golpe estava em paralelo, sendo também uma estratégia de comunicação para calar o povo. Pedimos liberdade as arquibancadas e as torcidas. Não ao futebol moderno e não a elitização das arquibancadas brasileiras.
- Adriano Costa — Publicitário — Torcedor Organizado
