O NEGRO E O FUTEBOL

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O futebol nasceu na Inglaterra e foi inaugurado no Brasil por Charles Miller no começo do século XX. Naquela época (de maneira mais forte do que hoje) o Brasil pós abolição vivia sob fortes resquícios da política escravagista e das teorias racistas que a fundamentaram.

As teorias racistas apontavam para os negros como seres não humanos, sem alma e isso serviu como justificativa para a sua escravização. Essas concepções racistas também davam conta de atribuir tudo que é de base natural (não humano) aos negros, que eram vistos pelos brancos como pessoas incapazes de pensar.

Como a prática de esportes, de uma maneira geral, exige muito vigor físico, a entrada do negro no futebol foi algo que revolucionou a modalidade. Era nítida a destreza, a habilidade e a velocidade imprimida pelos negros à prática esportiva e com isso, as equipes que tinham alguns jogadores negros começaram a se destacar.

Entretanto, é importante pontuar que o futebol era praticado nos clubes frequentados pela elite branca das cidades e para que os negros pudessem jogar bola nesses espaços, era preciso passar pó de arroz no rosto com a finalidade de “disfarçar” a cor da pele.

A partir desta concepção racista, que proibia os negros de frequentarem os clubes sociais das elites brancas, a profissionalização do futebol foi implementada como saída para o impasse frente a questão racial cada vez mais latente. Para a elite branca da época, era melhor ter os negros frequentando seus clubes como funcionários do que como sócios.

Desta forma, é importante entender que o futebol não é apenas um mero espaço para o entretenimento, pois, ele reflete de maneira muito fiel a estrutura racista da nossa sociedade. Aos negros, apesar de toda a contribuição dada ao futebol, são atiradas bananas e emitidos ruídos simulando os sons feitos por macacos. Aos brancos sobram as capas de revistas e os contratos milionários com as empresas de marketing esportivo.

Enquanto a cor da pele for mais importante do que o brilho dos olhos, haverá guerra!”

Haile Selassie (Jah Rastafari)

O SANTA CRUZ NASCEU NA LUTA CONTRA O RACISMO

O tradicional clube de Recife, conhecido também como Tricolor do Arruda, nasceu Alvinegro. Em 1914, ano da fundação do Santa Cruz Futebol Clube, as cores preto e branco foram escolhidas para ilustrar seus os uniformes de jogo.

A escolha se deu porque naquela época em Recife os negros não podiam frequentar os clubes que então existiam e por isso, eram excluídos da prática e o grupo de garotos que fundou o clube no Largo de Santa Cruz pensavam muito a frente de seu tempo e queriam mostrar para o mundo que Negros e Brancos tinham o mesmo valor.

Lacraia Fundador do Clube

Teófilo Batista de Carvalho, também conhecido como Lacraia, foi o autor do desenho do escudo do time. Ele, junto os outros garotos, fundou o Santa Cruz e também era um dos jogadores. O Lacraia tornou-se um grande símbolo porque representa a luta do Santa Cruz contra o Racismo por ter sido negro, sócio-fundador e jogador de futebol num contexto de exclusão dos negros dos espaços da sociedade.

Jonathas Soares ( Assistente Social )