Manifestação contra a reforma da Previdência soma-se à greve metroviária e ocupa Avenida Paulista

Com presença de diversos líderes de sindicatos do país e também do ex-presidente Lula, o ato contou com cerca de 300 mil pessoas

Reprodução: Christian Braga/Jornalistas Livres

Segundo informação disponibilizada pelos organizadores do evento, cerca de 300 mil pessoas compareceram na noite de ontem, quarta-feira, 15, na Avenida Paulista para protestar contra a proposta de reforma da Previdência Social apresentada pelo Governo Federal. Com início marcado para às 16h00, em frente ao MASP, a manifestação foi um complemento e confirmação à greve iniciada pelos metroviários e rodoviários e a comunidade de professores que marcaram o dia em todo o país.

Todos os setores paralisados endossaram os trabalhadores em geral presentes, comparecendo ao longo da tarde, oriundos de manifestações em outros pontos da cidade. Foram ecoadas palavras de ordem contra as reformas em andamento e o governo Temer.

LULA

Por volta das 19h20, subiu ao carro de som o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que falou por cerca de dez minutos. Ovacionado pelos presentes, Lula atacou o atual governo e exemplificou como a reforma da Previdência Social pode destruir os direitos que os trabalhadores, a duras penas, conquistaram. “ Embora o governo seja fraco, sem nenhuma representatividade, conseguiu montar uma força política no Congresso que quase nenhum presidente eleito conseguiu e essa força está predestinada a tentar impor goela abaixo uma reforma da aposentadoria que vai praticamente proibir que milhões de brasileiros consigam se aposentar”, disse o ex-presidente.

Reprodução: Fernando Bizerra Jr. (EFE)/EL PAÍS BRASIL

Após o término do discurso de Lula, os manifestante começaram a dispersar. Houve, na Avenida Nove de Julho, enquanto acabava o ato, um confronto entre policiais e pessoas mascaradas. A Polícia Militar utilizou bombas de gás lacrimogêneo para dispersar o grupo que colocava fogo em barricadas e, segundo informações, possuíam rojões e pedras.

A GREVE

A cidade de São Paulo amanheceu quarta-feira em situação de greve. Avisada pelo Sindicato dos Metroviários sobre a paralisação no dia anterior, a população pôde, de certa forma, se preparar para o impacto que essa ação causaria. O grupo de rodoviários da capital, por sua vez, iniciou o retorno às atividades por volta das 08h00. Frente a situação que se criou, a prefeitura suspendeu temporariamente o rodízio veicular e a zona azul, taxa para estacionamento em algumas regiões da capital.

As paralisações ocorridas não foram gerais, e afetaram a população e suas incontáveis atividades de diversas formas. São Paulo bateu recorde de trânsito, registrando 124 km às 7h30. A cidade tinha por todos os lados trabalhadores correndo, buscando meios de completar seu trajeto e tentando falar com seus empregadores e lhes explicar a situação. Ainda assim, muitos quando abordados se mostraram a favor das paralisações, sob comentários de apoio e encorajamento, vendo o movimento como uma boa forma de parar a onda de mudanças nos direitos trabalhistas.

CONSEQUÊNCIAS

O Metrô entrou com um pedido para Justiça do Trabalho de multa para o Sindicato dos Metroviários, no valor de R$ 100.000 por dia. Além disso, os funcionários que optaram pela paralisação terão o valor correspondente descontado na folha salarial e perderão o direito ao descanso semanal remunerado.

O prefeito João Dória também se manifestou sobre as paralisações, e prometeu aplicar “imediatamente” uma multa aos órgãos responsáveis pela ação na capital.