Vou votar em um negro

Os marginais podem salvar o Brasil


Eu não preciso de mais motivos para votar em um negro além daqueles escancarados nos números da Transparência Brasil (aqui, em PDF). Se 44% dos candidatos a cargos legislativos se declaram pretos ou pardos, não há relação mais abissal do que ver a fatia que lhes cabe do bolo de grandes financiadores: apenas 17% do dinheiro.

É um apartheid.

Os negros pularam as barreiras das candidaturas: são quase a metade dos pretendentes a cargos em todo o Brasil. Não basta. O grande eleitor brasileiro é o dinheiro. Sem acesso a ele, negros jamais serão eleitos.

Em 2010, para se eleger deputado federal pelo Amapá, um candidato precisou arrecadar, na média, 252 mil reais. É o mais baixo patamar do país. No alto, um impressionante Goiás: média de arrecadação de mais de 2 milhões de reais entre os eleitos (dados aqui, em pdf). Chame do que desejar, menos de democracia representativa.

Mesmo que eu não precise de mais motivos além desse para votar em um negro, eu os tenho.


Quem estaria mais interessado na regulamentação das drogas se não aqueles que são destruídos pelo tráfico?

Quem estaria mais atento ao processo de desmilitarização das polícias se não aqueles que morrem com tiros oficiais sob autos de resistência?

Quem vê urgência na reforma de nosso sistema carcerário medieval se não aqueles que têm pais, mães e filhos violentados nas cadeias?

Quem pode desejar uma Educação mais justa se não aqueles que estão fora dos melhores colégios e universidades?

Quem se importaria com o SUS se não os brasileiros sem planos de saúde?


Votarei em um negro.

Os marginais podem salvar o Brasil.


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