Começando a carreira profissional aos 20: que escolhas fazer?

Nesse momento da vida, tendo saído da adolescência e ingressado na fase adulta, muitas demandas vem de repente. Demandas essas que vem da família e também de si mesmo. E uma demanda bem comum é a escolha por uma carreira, por uma profissão que dará a autonomia financeira e reconhecimento entre familiares e amigos.

Há aqueles que já começaram a trabalhar em negócios da família, mesmo os pequenos, e já ouvem desde essa época que profissional devem ser, pra seguir uma linhagem familiar. Há aqueles que só estudaram e se vêem diante de um problema ao terem que escolher que faculdade fazer. Há aqueles que começam a trabalhar pra bancar cursos e alimentar o sonho de ser um profissional bem sucedido.

Para todos esses tipos, valem reflexões sobre o mundo moderno. A primeira reflexão é sobre a ideia de sucesso e reconhecimento. Ainda paira sobre o inconsciente coletivo a ideia de sucesso ligada a uma gorda conta bancária, carro do ano e idas frequentes ao shopping para comprar. Essa ideia nos reduz a meros consumidores, o que não é verdade. Da mesma maneira que necessitamos de dinheiro, também necessitamos de afeto, tempo para lazer, estudo e para realizar atividades que nos desenvolvem integralmente como humano — aprendendo habilidades técnicas como falar em público, gerenciar uma equipe, até habilidades socioemocionais como ser empático, saber dialogar, etc. E como passamos muito tempo trabalhando ou estudando, o ideal é escolher trabalhos, atividades voluntárias e cursos ou estudos que estejam conectados às nossas vontades e aptidões. O importante é pensar que todas essas atividades nos formam como ser humano e, por isso, ao escolher, a gente deve pensar se elas estão contribuindo para a formação da pessoa que se deseja ser. Esse assunto em si é mais amplo e conversaremos sobre ele no futuro.

Uma outra reflexão importante é a ideia de carreira. Até por volta do ano 2000 a ideia de ter emprego sólido, passando anos dentro de uma empresa, era a que vigorava. E isso foi mudando com o tempo. As novas gerações trazem outras necessidades, que não a de passar tanto tempo em uma mesma empresa. As próprias empresas, muitas, passaram a trabalhar por projeto, ou seja: trabalhos que tem um prazo para acabar, fazendo contratações pontuais para um ou dois anos. Nesse cenário, o profissional versátil, que já trabalhou em diversas funções, que conhece mais de uma área, que é polivalente, passa a ser valorizado. Além disso, também surgem os empreendedores, com sonhos e ideias próprias, e esses precisam ser versáteis.

Por essas reflexões, é possível dizer que a pressão para as escolhas nessa fase da vida não precisa existir. Vamos ter muitos trabalhos, vamos gostar de muitas áreas e isso é saudável, nos forma como profissionais mais versáteis, autônomos e mais hábeis para tomar outras decisões no futuro.

Vá, busque algo que te preencha, aprenda, ame o que estiver fazendo no momento e se estiver insatisfeito, ouça a si próprio e escolha aquilo que te faça crescer como indivíduo. Grande parte do aprendizado vem com a experiência, e à medida que experienciamos, nos tornamos mais conscientes do que faz bem pra nós, ficando mais fácil tomar qualquer decisão.